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Zoológico de Manaus oferece picolés para aliviar calor dos animais

Alimentos congelados, névoa de água e banhos ajudam espécies amazônicas durante o período de estiagem

Por: Portal Amz em Pauta
02 de Agosto de 2026
Foto: Lucas Macedo / g1 Amazonas

O Zoológico do Centro de Instrução de Guerra na Selva (Cigs), em Manaus, adotou picolés de carne e frutas, gelo nos bebedouros, névoa de água e banhos de ducha para reduzir os efeitos do calor sobre cerca de 400 animais. As medidas são intensificadas durante o verão amazônico, período de estiagem entre julho e outubro, marcado por temperaturas elevadas, redução das chuvas e baixa umidade.

Administrado pelo Exército Brasileiro, o zoológico abriga exclusivamente espécies da fauna amazônica. O espaço atua no acolhimento, tratamento e reabilitação de animais resgatados ou apreendidos por órgãos ambientais.

Segundo a médica veterinária do zoológico, tenente Lauren Bazzi, cada espécie responde de maneira diferente às altas temperaturas. Por isso, as ações são definidas conforme as necessidades e características de cada animal.

"Tem algumas espécies de animais que não suam, outras que precisam regular a temperatura do corpo e precisam estar no sol para ter essa regulação. Varia muito de espécie para espécie se tratando de animais silvestres. Aqui a gente tem um cuidado extremo, principalmente no período mais crítico do nosso verão amazônico", explica a tenente.

A equipe responsável pelos cuidados é composta por 16 militares, quatro médicos-veterinários, um biólogo e estagiários dos cursos de medicina veterinária, zootecnia e biologia. Os profissionais fazem rondas frequentes para acompanhar o comportamento dos animais e verificar os níveis de água nos bebedouros e nas piscinas.

Durante os meses mais quentes, os alimentos previstos na dieta são oferecidos em versões congeladas. A mudança não altera o valor nutricional das refeições, mas contribui para o conforto térmico e estimula comportamentos naturais.

Os picolés destinados aos carnívoros podem conter carnes de aves, bovinos, suínos, peixes e fígado. Também são utilizados sangue da própria proteína servida, ervas, gelatina e água filtrada. Para os primatas, herbívoros e onívoros, a preparação é feita principalmente com frutas.

O alimento é colocado em formas adaptadas ao tamanho de cada espécie e permanece congelado por pelo menos 12 horas. A técnica é classificada como enriquecimento ambiental alimentar, pois ajuda a refrescar os animais e também funciona como uma atividade de entretenimento.

A cada preparação, são produzidas 21 unidades de picolés de carne. Desse total, 18 são destinadas a onças-pintadas, onças-pardas, jaguatiricas e gatos selvagens. Outras três unidades são oferecidas a quatis e furões. As aves de rapina não recebem esse tipo de alimentação congelada.

A distribuição ocorre, em média, três vezes por semana, principalmente entre 14h e 16h30, quando as temperaturas costumam ser mais elevadas. Blocos de gelo também são colocados nos bebedouros para manter a água fresca por mais tempo.

Além da alimentação, a equipe acompanha possíveis sinais de desconforto térmico. "A gente reconhece pela agitação daquele animal. Conseguimos perceber que ele está um pouco mais inquieto e estressado, o que muito provavelmente é ocasionado pelo excesso de calor", afirma a tenente Glazi.

Nos recintos dos primatas, aeradores foram instalados para lançar névoa de água e vento. A solução foi adotada porque as ilhas dos macacos não podem ter árvores muito altas ou galhos que facilitem fugas e a passagem entre os espaços.

Os grandes felinos e as antas também recebem banhos de ducha ao longo do dia, principalmente nos períodos de maior calor. O conjunto de medidas busca preservar a saúde e o bem-estar dos animais durante a fase mais intensa do verão amazônico.

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