Presidente ucraniano participa da Conferência de Segurança de Munique e afirma que a Europa precisa agir de forma independente para se proteger da Rússia.
O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, fez um forte apelo pela criação de um "exército da Europa" durante sua participação na Conferência de Segurança de Munique, realizada entre os dias 14 e 16 de fevereiro. Ele sugeriu que os Estados Unidos, que historicamente protegeram o continente, talvez não possam mais ser contados como aliados na defesa da Europa.
Em seu discurso, Zelensky afirmou que a Ucrânia "nunca aceitará acordos feitos às nossas costas sem a nossa participação", referindo-se a negociações de paz entre os presidentes dos EUA e da Rússia, Donald Trump e Vladimir Putin, respectivamente.
A ideia de um exército europeu não é nova e tem sido defendida por outros líderes, como o presidente francês Emmanuel Macron, que sempre apoiou a criação de uma força militar própria da União Europeia, com o intuito de reduzir a dependência do continente dos EUA.
Zelensky destacou que o vice-presidente dos EUA, JD Vance, também alertou, em um discurso durante o evento, que a Europa precisa "agir de forma significativa" na defesa de seu território. Ele ainda criticou a ideia de que a relação histórica entre a Europa e os EUA, que garantiu a segurança do continente por décadas, está chegando ao fim.
"Ontem, aqui em Munique, o vice-presidente dos EUA deixou claro que décadas da antiga relação entre a Europa e a América estão terminando. A partir de agora, as coisas serão diferentes, e a Europa precisa se ajustar a isso", afirmou Zelensky, indicando que o futuro da segurança europeia precisa ser redefinido.
O conceito de uma força militar europeia própria tem ganhado mais força à medida que o conflito na Ucrânia se intensifica, com muitos observadores acreditando que o risco de a Europa depender unicamente dos EUA está cada vez maior.
Zelensky também enfatizou que "não podemos descartar a possibilidade de que a América possa dizer não à Europa em uma questão que a ameaça", sugerindo que a Europa precisa se preparar para se proteger de forma autônoma.
Além disso, o secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, afirmou que a invasão russa à Ucrânia foi um "reset de fábrica" para a Otan, sinalizando a necessidade de a aliança ser "robusta", "forte" e "real". No entanto, tanto Trump quanto Hegseth indicaram que é improvável que a Ucrânia se junte à Otan e que a ideia de retornar às fronteiras da Ucrânia anteriores a 2014 seria irrealista.
Apesar dessas declarações, Zelensky afirmou que "não retiraria a adesão à Otan para a Ucrânia da mesa", mantendo sua posição de que a Ucrânia deve se tornar membro da aliança de defesa.