Miao era responsável por supervisionar a lealdade política dos militares e era visto como um aliado próximo de Xi.
O general Miao Hua, uma das figuras mais poderosas do Exército de Libertação Popular (ELP), foi oficialmente removido da Comissão Militar Central (CMC) da China — órgão máximo de comando das Forças Armadas, presidido por Xi Jinping. A saída marca mais um desdobramento da ampla campanha anticorrupção que abala o alto escalão militar chinês desde o ano passado. A informação foi revelada pela Bloomberg nesta terça-feira (2).
Miao era responsável por supervisionar a lealdade política dos militares e era visto como um aliado próximo de Xi. A CMC é composta por seis membros, incluindo o presidente, dois vice-presidentes e três membros regulares. A exclusão de Miao representa a mais recente baixa entre os generais investigados por suspeitas de corrupção.
Desde o início da ofensiva anticorrupção, mais de uma dezena de oficiais de alto escalão foram afastados — entre eles, os dois últimos ministros da Defesa. A operação tem como foco contratos militares suspeitos de irregularidades desde 2017, e já atingiu inclusive a Força de Foguetes, que controla o arsenal nuclear do país.
Miao Hua já estava sob investigação desde 2023, acusado de “graves violações de disciplina” — expressão comumente usada pelo Partido Comunista Chinês (PCC) para casos de corrupção. Em abril deste ano, ele também foi expulso do Parlamento chinês, sem qualquer justificativa pública.
O movimento reforça a estratégia de Xi Jinping de consolidar o controle sobre os militares, promovendo uma limpeza interna nas forças armadas e ampliando a vigilância sobre contratos e alianças políticas consideradas instáveis ou ameaçadoras.