A ação contou com o apoio de moradores locais, treinados para participar da operação
A WWF-Brasil está conduzindo um projeto de monitoramento da onça-pintada em três Unidades de Conservação (UCs) na Amazônia: a Floresta Nacional do Aripuanã (AM), o Parque Nacional do Cabo Orange e a Floresta Nacional do Amapá (AP). A iniciativa visa entender como as áreas protegidas servem de refúgio para o maior felino das Américas e traçar estratégias eficazes para sua conservação.
O monitoramento utiliza armadilhas fotográficas instaladas em grades regulares de pontos fixos na floresta, que capturam imagens ao detectar movimentos. Na FLONA do Aripuanã, as câmeras registraram, entre junho e agosto de 2024, 57 espécies diferentes e identificaram seis onças-pintadas. A ação contou com o apoio de moradores locais, treinados para participar da operação.
De acordo com Felipe Feliciani, analista do WWF-Brasil, o número de onças na FLONA do Aripuanã foi animador, especialmente por se tratar de uma área afetada pelo desmatamento. Os dados obtidos são comparáveis aos de regiões mais preservadas, indicando a importância das UCs na manutenção da biodiversidade.
No Amapá, o trabalho foi realizado em duas etapas: na FLONA do Amapá, de outubro de 2022 a janeiro de 2023; e no PARNA do Cabo Orange, entre novembro de 2023 e fevereiro de 2024. Ao todo, foram obtidas mais de 14 mil imagens e vídeos, que ainda estão sendo analisados. Somente na FLONA do Amapá, houve nove registros de onças-pintadas, além de outras espécies como anta, queixada e caititu.
A bióloga Dayse Ferreira destacou os desafios da coleta de dados em campo, como longas caminhadas e viagens de voadeira sob sol e chuva, além da exaustiva triagem de milhares de arquivos. Segundo ela, o esforço foi recompensado pela riqueza das informações obtidas, fundamentais para a conservação da fauna local.
Para Fernanda Colares Brandão, gestora do ICMBio, a abundância de onças-pintadas no Amapá motivou o início do monitoramento, especialmente diante de conflitos entre moradores e os felinos. A ideia agora é expandir o protocolo para outras UCs e aprofundar o conhecimento científico sobre a espécie e seu habitat.
No PARNA do Cabo Orange, uma das áreas mais bem preservadas da Amazônia, os dados preliminares sugerem que algumas onças possuem porte maior que o habitual, o que pode representar um novo achado científico. Segundo Paulo Silvestro, analista do ICMBio, isso reforça a necessidade de continuidade e financiamento das pesquisas.
O projeto evidencia o papel fundamental das Unidades de Conservação na proteção da biodiversidade e no manejo sustentável dos recursos naturais. A continuidade do monitoramento poderá gerar uma série histórica sobre as populações de onças-pintadas, contribuindo para ações rápidas e eficazes diante de possíveis desequilíbrios ecológicos.