Jornalista deixará a bancada em novembro e passará ao Globo Repórter em 2026
O jornalista William Bonner anunciou oficialmente na última segunda-feira (1º) que deixará a bancada do Jornal Nacional (JN), após quase três décadas no comando do telejornal mais assistido do país. A despedida acontecerá em 3 de novembro, data em que o programa completará 56 anos.
A decisão marca o fim de um ciclo de 29 anos na atração, sendo 26 deles como editor-chefe. Em 2026, Bonner passará a integrar a equipe do Globo Repórter, ao lado da jornalista Sandra Annenberg.
Em abril deste ano, durante as comemorações dos 60 anos da TV Globo, o âncora já havia sinalizado sua vontade de desacelerar. Em entrevista ao programa Conversa com Bial, confessou que sua concentração estava afetada até mesmo em momentos de lazer, como a leitura de livros, por estar sempre conectado às notícias.
Segundo o próprio Bonner, a decisão vinha sendo planejada há cinco anos, em conversas com a direção de jornalismo da Globo. O jornalista afirmou que desejava reduzir a carga horária e as responsabilidades, preparando sucessores para garantir a continuidade do JN.
“O aniversário do JN não tem número redondo, nem lançamento de livro, mas foi o que mais consumiu tempo para ser preparado. Foram cinco anos de planejamento, superação da fase crítica da pandemia e arquitetando sucessões”, declarou Bonner em comunicado oficial.
Ele destacou ainda os números de sua trajetória: 29 anos e quatro meses no JN, sendo 26 como chefe da equipe de editores, comandando reuniões, avaliando pautas e apresentando diariamente as principais notícias do Brasil e do mundo.
Jornalistas César Tralli, Renata Vasconcellos e William Bonner (Foto: Divulgação)
A partir de novembro, o jornalista César Tralli assumirá a bancada ao lado de Renata Vasconcellos, que segue como âncora do JN desde 2014. A Globo destacou que a mudança simboliza um novo momento para o telejornal.
A saída de Bonner acontece em um período de renovação editorial da emissora. O jornalista foi peça fundamental na modernização do programa, participando de mudanças de linguagem, cenários e inovações tecnológicas, incluindo o estúdio remodelado em 2017.
Ao longo da carreira, Bonner também atuou no combate às fake news, especialmente durante a pandemia de Covid-19, reforçando o papel do JN como referência no jornalismo brasileiro. Em 2009, lançou o livro Jornal Nacional, Modo de Fazer, em que revelou bastidores do telejornal.
Com sua saída, o JN encerra um ciclo marcado pela estabilidade na apresentação. Bonner foi o sucessor de nomes icônicos como Cid Moreira, Sérgio Chapelin e Celso Freitas, consolidando-se como o mais longevo âncora do programa desde sua estreia, em 1969.
Para a TV Globo, a ida de Bonner ao Globo Repórter em 2026 representa não apenas a continuidade de sua carreira, mas também a valorização de sua experiência em projetos jornalísticos de maior fôlego, voltados a reportagens especiais e aprofundadas.
Jornalistas William Bonner e Sandra Annenberg (Foto: Divulgação)
O anúncio oficial coincidiu com as celebrações dos 56 anos do Jornal Nacional, reforçando o simbolismo da data. “Chegou o momento de mudar de ritmo e de vida, mas sigo comprometido com o jornalismo e com o público”, declarou Bonner em seu comunicado de despedida.