O número representa uma queda em relação aos 181 episódios de 2023
O Brasil registrou 144 casos de agressões contra jornalistas em 2024, segundo a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj). O número representa uma queda de 20,44% em relação aos 181 episódios de 2023 e é o menor desde 2018. Apesar disso, a Fenaj alerta que os índices ainda estão em níveis alarmantes.
A presidente da Fenaj, Samira de Castro, afirmou que a violência contra jornalistas se tornou estrutural no país. Segundo ela, o fenômeno ganhou força a partir de 2019, durante o governo de Jair Bolsonaro, período em que ataques à imprensa foram institucionalizados e incentivados por discursos oficiais.
O relatório destaca que o assédio judicial cresceu proporcionalmente, passando de 13,81% para 15,97% dos casos, somando 23 episódios em 2024. A Fenaj substituiu o termo “cerceamento por meio de ação judicial” por “assédio judicial” para ressaltar o caráter abusivo e intimidatório dessas ações.
Também chamou atenção o aumento de 120% nos casos de censura, que passaram de cinco para 11. As agressões físicas caíram 25%, de 40 para 30 registros, mas ainda envolvem episódios graves, incluindo tentativas de homicídio. As ameaças e intimidações somaram 35 ocorrências, mantendo-se estáveis.
Durante o período eleitoral, entre maio e outubro, ocorreram 38,9% dos ataques, com julho sendo o mês mais violento. A Fenaj atribui a alta ao acirramento do discurso de ódio, principalmente por parte de grupos de extrema direita.
O Sudeste lidera em número de casos, com 38 episódios, sendo 23 em São Paulo. Em seguida aparecem Nordeste (36), Sul (31), Norte (22) e Centro-Oeste (17). A Bahia foi o estado com mais ocorrências (nove), seguida por Alagoas e Paraíba (seis cada).
Políticos continuam sendo os principais agressores, envolvidos em 48 casos, um terço do total. Outros autores frequentes incluem apoiadores, manifestantes de extrema direita e servidores públicos. O assédio judicial promovido por figuras públicas também se intensificou.
A violência de gênero preocupa: mulheres não são maioria entre as vítimas, mas sofrem ataques misóginos e desqualificações. Em 2024, foram 81 vítimas do sexo masculino, 47 do feminino e 26 casos coletivos. A Fenaj cobra ações urgentes para proteger jornalistas e garantir a liberdade de imprensa.