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Violência atinge maioria das mulheres em deslocamentos noturnos no Brasil

Relatório aponta que agressões de cunho sexual, insegurança e discriminação afetam mulheres de 18 a 59 anos, com maior impacto sobre negras e LGBTQIA+.

22 de Novembro de 2025
Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil

Nove em cada dez brasileiras já sofreram violência ao se deslocar à noite para atividades de lazer, sendo a maioria vítima de episódios de cunho sexual, incluindo cantadas inconvenientes, importunação e assédio sexuais. Para pelo menos 10% delas, os percursos com a finalidade de descanso ou diversão, seja para ir a um bar, restaurante, balada ou a um espaço artístico-cultural, como um teatro, show, concerto musical ou cinema, resultaram em estupro, índice que dobra entre mulheres da comunidade LGBTQIA+.

De acordo com novo relatório do Instituto Patrícia Galvão, produzido em parceria com o Locomotiva e com apoio da Uber, o medo de quase a totalidade (98%) das brasileiras que saem à noite de vivenciar algo semelhante não é infundado. Conforme demonstra o dado de estupro, as agressões podem piorar com a soma de fatores como perfil étnico-racial ou orientação sexual à identidade de gênero feminina.

Enquanto uma parcela de 72% declara já ter recebido olhares insistentes e flertes indesejados, entre mulheres na faixa dos 18 aos 34 anos essa quantidade sobe para 78%. As mulheres pretas, negras de pele retinta, são, em diversos contextos, mais oprimidas. Quando as entrevistadas relataram casos de importunação e assédio sexuais, agressões físicas, estupros e racismo, a proporção de mulheres pretas vitimadas foi sempre maior.

Ao todo, 34% das entrevistadas afirmam ter sido vítimas de assalto, furto e sequestro relâmpago. Além disso, quase um quarto (24%) sofreu discriminação ou preconceito por alguma característica que não a étnico-racial, e aqui, novamente, as mulheres pertencentes à comunidade LGBTQIA+ têm mais frequentemente seus direitos violados, pois a situação atinge 48% delas.

O estudo mostra que as mulheres ficam mais suscetíveis quando se deslocam a pé (73%) ou de ônibus (53%). A probabilidade é menor, mas ainda presente, em outros meios de transporte, como carro particular (18%), carro de aplicativo (18%), metrô (16%), trem (13%), motorista particular (11%), bicicleta (11%), motocicleta de aplicativo (10%) e táxi (9%). O principal critério de escolha do transporte é a segurança (58%), seguido de conforto (12%) e praticidade (10%).

As experiências de violência também explicam por que 63% das mulheres, e 66% entre negras, pretas e pardas, já desistiram de sair de casa por sensação de insegurança. Além de viverem situações de violência, 42% presenciaram agressões contra outra mulher, e pouco mais da metade (54%) prestou auxílio.

Entre as vítimas, seis em cada dez (58%) receberam acolhimento de alguém conhecido, desconhecido ou funcionário do local. Metade (53%) decidiu voltar para casa após o episódio, enquanto apenas 17% procurou a polícia, seja indo até uma delegacia ou chamando uma viatura. Uma minoria buscou a Central de Atendimento à Mulher.

Para tentar reduzir o risco, as mulheres adotam diversas estratégias: avisam alguém de confiança sobre para onde estão indo e quando pretendem voltar (91%), evitam locais desertos ou escuros (89%), e buscam companhia nos trajetos de ida e volta (89%). Além disso, muitas evitam certos tipos de roupas ou acessórios (78%) e chegam a levar peças extras que cubram mais o corpo (58%).

Os dados do estudo foram coletados em meados de setembro, a partir de formulários preenchidos por 1,2 mil mulheres de 18 a 59 anos.

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