Governo de Delcy Rodríguez não teria apresentado exigências pela soltura do ex-presidente durante cinco rodadas de diálogo com a oposição.
O governo interino da Venezuela, comandado por Delcy Rodríguez, não apresentou pedidos pela libertação do ex-presidente Nicolás Maduro durante as recentes negociações com a oposição venezuelana. A informação foi publicada pelo jornal britânico Financial Times, que ouviu pessoas presentes nas conversas. Maduro está preso nos Estados Unidos desde janeiro deste ano.
Segundo o Financial Times, representantes do governo e da oposição participaram de cinco rodadas de negociação ao longo de aproximadamente duas semanas. As conversas, apoiadas pelos Estados Unidos, buscam discutir mudanças políticas e institucionais que possam abrir caminho para uma nova eleição presidencial no país. Até o momento, porém, não foi anunciado um acordo definitivo entre as partes.
A ausência de qualquer exigência relacionada a Maduro chamou atenção porque a libertação do ex-presidente já havia ocupado espaço importante no discurso de integrantes do governo venezuelano. De acordo com o jornal britânico, as discussões recentes se concentraram em outros temas, incluindo a recuperação do país após os terremotos de junho e medidas para reformar o sistema judiciário.
Maduro e a esposa, Cilia Flores, estão detidos nos Estados Unidos desde janeiro, após serem capturados durante uma operação americana em Caracas. O ex-presidente enfrenta acusações na Justiça dos EUA relacionadas a narcoterrorismo, conspiração para importar cocaína, posse de metralhadoras e conspiração. Os dois se declararam inocentes das acusações.
A mudança nas prioridades das negociações ocorre enquanto Delcy Rodríguez amplia o espaço político à frente do país. Nos últimos meses, setores oficiais venezuelanos passaram a utilizar com maior frequência apenas o título de “presidenta” para se referir a Rodríguez, embora a denominação de “presidenta interina” ainda apareça em alguns canais oficiais.
Os pedidos públicos pela libertação de Maduro também perderam espaço desde o início do ano. Segundo a reportagem, manifestações desse tipo eram frequentes em janeiro, mas passaram a aparecer com menor intensidade no discurso oficial enquanto Rodríguez consolida sua permanência no comando venezuelano. O Financial Times aponta que o governo não comentou oficialmente a mudança de postura em relação ao ex-presidente.
As negociações com a oposição devem continuar como parte das discussões sobre a reorganização política da Venezuela. A rodada de diálogo ocorre em um cenário diferente daquele dos processos anteriores, depois da captura de Maduro e da permanência de Rodríguez à frente do governo. Ainda não há, entretanto, definição sobre quando uma nova eleição presidencial poderá ser realizada.