Mundo

Venezuela acusa EUA de pirataria após apreensão de petroleiro no Caribe

Governo Maduro diz que ação é “roubo descarado”; Washington afirma combater transporte de petróleo sancionado.

11 de Dezembro de 2025
Foto: Reprodução / The New York Times / Planet Labs

A crise diplomática entre Venezuela e Estados Unidos ganhou novos capítulos após Washington anunciar uma operação que resultou na apreensão de um petroleiro na costa venezuelana. A administração de Nicolás Maduro reagiu com veemência e classificou a ação como “roubo descarado” e “pirataria internacional”.

Em nota, o governo venezuelano declarou: “A República Bolivariana da Venezuela denuncia e repudia energicamente o que constitui um roubo descarado e um ato de pirataria internacional, anunciado publicamente pelo presidente dos Estados Unidos, que confessou o assalto a um navio petroleiro no mar do Caribe”. Segundo Caracas, a operação teria sido divulgada pelo governo norte-americano para desviar a atenção da entrega do Nobel da Paz à opositora María Corina Machado, que deixou o país após perseguição do regime.

A nota sustenta ainda que os interesses dos EUA estariam ligados às riquezas naturais do país: “A verdadeira razão da agressão prolongada contra Venezuela não é a imigração, não é o narcotráfico, não é a democracia, não são os direitos humanos. Sempre se tratou das nossas riquezas naturais, do nosso petróleo, da nossa energia, dos recursos que pertencem ao povo venezuelano”.

A operação foi anunciada pelo presidente Donald Trump na quarta-feira (10), durante reunião com empresários na Casa Branca. Ele afirmou que se tratava da maior apreensão do tipo e, ao ser questionado sobre o destino da embarcação, respondeu: “Ficamos com ele, eu acho”.

Pouco depois, a procuradora-geral dos EUA, Pam Bondi, publicou um vídeo da ação. Ela afirmou que o navio-tanque transportava petróleo bruto sancionado da Venezuela e do Irã e estava envolvido há anos em uma rede ilícita de apoio a organizações terroristas estrangeiras. “Esta apreensão, concluída na costa da Venezuela, foi realizada de forma segura e protegida, e nossa investigação, em conjunto com o Departamento de Segurança Interna, para impedir o transporte de petróleo sancionado, continua”, escreveu. Bondi informou que FBI, Guarda Costeira, Departamento de Defesa e Segurança Interna participaram da operação.

Segundo o grupo britânico de gestão de riscos marítimos Vanguard, o alvo pode ter sido o navio-tanque Skipper, anteriormente sancionado pelos Estados Unidos sob o nome Adisa por suposto envolvimento no comércio de petróleo iraniano. A localização exata do petroleiro no momento da apreensão não foi confirmada. A autoridade marítima da Guiana acusou ainda a Venezuela de usar ilegalmente a bandeira guianense na embarcação apreendida.

A tensão aumentou após relatos de que dois caças F-18 dos Estados Unidos entraram no espaço aéreo venezuelano na terça-feira (9). Eles permaneceram por cerca de 40 minutos sobre o Golfo da Venezuela, próximo a Maracaibo, antes de deixar a área. Segundo o jornal Miami Herald, a presença das aeronaves foi acompanhada em plataformas de rastreamento de voos.

Horas antes, um drone MQ-4C Triton da Marinha norte-americana teria realizado manobras de reconhecimento no Mar do Caribe, segundo o site venezuelano La Patilla. As aeronaves sobrevoaram regiões estratégicas para o setor de energia do país, como os estados de Zulia e Falcón.

Durante um evento na Pensilvânia, Trump voltou a elevar o tom e afirmou que os EUA poderão realizar ataques por terra na Venezuela porque “a terra é muito mais fácil”. Ele também elogiou bombardeios recentes contra embarcações no Caribe e no Pacífico, que, segundo ele, teriam causado a morte de cerca de 80 pessoas supostamente ligadas ao tráfico, número contestado por organizações independentes. “O míssil que vai acabar com eles”, declarou, sendo aplaudido pela plateia.

Em entrevista ao site Politico, também divulgada na terça, Trump afirmou que os dias de Nicolás Maduro no poder estão “contados”, intensificando a retórica de pressão sobre o governo venezuelano.

Leia Mais
TV Em Pauta

COPYRIGHT © 2024-2025. AMZ EM PAUTA S.A - TODOS OS DIREIROS RESERVADOS.