Saúde

Vacina contra HPV reduz em 58% casos de câncer de colo de útero no Brasil

Estudo da Fiocruz comprova eficácia do imunizante e reforça importância da vacinação gratuita pelo SUS.

07 de Outubro de 2025
Foto: Rovena Rosa / Agência Brasil

Um estudo realizado entre 2019 e 2023 analisou o impacto da vacinação contra o papilomavírus humano (HPV) no Brasil e revelou resultados expressivos na redução do câncer do colo do útero. A pesquisa, conduzida por cientistas da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) com apoio da Royal Society e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), avaliou dados do Sistema Único de Saúde (SUS) de mais de 60 milhões de mulheres, com idades entre 20 e 24 anos, a cada ano.

Os resultados mostraram que a imunização reduziu em 58% os casos de câncer do colo do útero e em 67% as lesões pré-cancerosas graves (NIC3). Publicado pela revista científica The Lancet, o estudo também destacou que o efeito protetor da vacina é consistente mesmo antes da idade indicada para o rastreamento (25 anos), comprovando sua eficácia precoce.

De acordo com os pesquisadores, os dados reforçam o potencial da vacina como uma das estratégias mais eficazes de saúde pública. “O impacto observado no Brasil confirma que a vacinação contra o HPV é eficaz não apenas em países de alta renda, mas também em contextos com recursos limitados. Esse é um passo fundamental rumo à eliminação global do câncer do colo do útero”, destacam os autores do estudo.

A pesquisa foi conduzida pelos pesquisadores Thiago Cerqueira-Silva, Manoel Barral-Netto e Viviane Sampaio Boaventura, da Fiocruz Bahia. Para eles, os resultados demonstram avanços significativos na prevenção de uma das principais causas de mortalidade feminina no país.

Avanços e ampliação da cobertura

Desde 2014, o Programa Nacional de Imunizações (PNI) oferece a vacina contra o HPV gratuitamente pelo SUS. Em 2024, o Brasil passou a adotar o esquema de dose única, seguindo as recomendações mais recentes da Organização Mundial da Saúde (OMS). Já em 2025, novas diretrizes ampliaram o público-alvo, incluindo adolescentes de 15 a 19 anos e grupos prioritários, como usuários de PrEP, imunossuprimidos e pacientes com papilomatose respiratória recorrente.

O câncer do colo do útero é o segundo mais comum entre as mulheres brasileiras e ainda representa uma das principais causas de morte feminina. A ampliação da cobertura vacinal é considerada uma ferramenta decisiva para reduzir desigualdades no acesso à saúde e aproximar o Brasil da meta da OMS de eliminar a doença como problema de saúde pública.

Proteção e grupos prioritários

Estima-se que entre 50% e 70% das pessoas sexualmente ativas terão contato com o HPV em algum momento da vida. A vacina protege contra até 98% dos tipos oncogênicos mais perigosos.

O imunizante é distribuído gratuitamente nas unidades básicas de saúde (UBS) e é indicado para:

• Meninas e meninos de 9 a 14 anos;

• Mulheres e homens de 9 a 45 anos que vivem com HIV, transplantados ou pacientes oncológicos;

• Vítimas de abuso sexual, imunocompetentes de 15 a 45 anos que não tenham completado o esquema vacinal;

• Usuários de Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) de HIV, de 15 a 45 anos;

• Pacientes com Papilomatose Respiratória Recorrente (PRR), a partir dos 2 anos de idade.

Os Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais (Crie) também disponibilizam o imunizante para pessoas com HIV/Aids, transplantados e pacientes oncológicos de até 45 anos.

A vacinação é gratuita e está disponível em todo o território nacional, reforçando o compromisso do SUS com a prevenção, equidade e promoção da saúde feminina.

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