Saúde

Uso precoce de celular pode dobrar risco de sofrimento psíquico, aponta estudo internacional

Pesquisa global alerta para impactos duradouros na saúde mental de crianças que usam smartphones antes dos 13 anos.

26 de Julho de 2025

O uso de smartphones por crianças tem despertado preocupações crescentes ao redor do mundo, e agora, uma nova pesquisa traz evidências que fortalecem a necessidade de regulamentações. Publicado na revista Journal of Human Development and Capabilities, um estudo liderado por cientistas do laboratório internacional Sapien Labs mostra que o acesso precoce a celulares pode ter consequências sérias e duradouras para a saúde mental.

A análise utilizou dados do Global Mind Project, que já coletou respostas de quase 2 milhões de pessoas em 163 países por meio do questionário digital MHQ (Mind Health Quotient). O estudo concluiu que quanto mais cedo uma criança começa a usar um smartphone, piores são seus indicadores de bem-estar psicológico, e os efeitos negativos se estendem até a adolescência e a vida adulta.

Entre os sintomas mais relatados estão pensamentos suicidas, instabilidade emocional e baixa autoestima. O impacto foi especialmente significativo entre mulheres jovens. Entre as que começaram a usar celular aos 5 ou 6 anos, 48% afirmaram já ter tido pensamentos suicidas. O índice cai para 28% entre aquelas que só ganharam o aparelho a partir dos 13 anos.

Para os pesquisadores, os resultados demonstram que a discussão sobre o uso de celulares por crianças ultrapassa o âmbito privado das famílias e deve ser tratada como uma questão de saúde pública. Diversos países já estudam a implementação de restrições para a faixa etária mais jovem — e os dados apresentados no estudo podem acelerar esse debate.

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