ONU e PMA esperam entrada diária de 600 caminhões com alimentos e suprimentos durante cessar-fogo mediado por Trump.
A instituição de caridade infantil da ONU, Unicef, fez um apelo nesta sexta-feira para a abertura de todas as passagens de ajuda alimentar destinadas a Gaza, região devastada pela guerra.
A entidade afirmou que as crianças no território estão em situação especialmente vulnerável, enfrentando longos períodos sem alimentação adequada.
"A situação é crítica. Corremos o risco de ver um aumento maciço na morte de crianças, não apenas neonatais, mas também bebês, já que seus sistemas imunológicos estão mais comprometidos do que nunca", disse o porta-voz do Unicef, Ricardo Pires.
Segundo ele, a imunidade das crianças está extremamente baixa porque "elas não estão se alimentando adequadamente por muito tempo".
Nesta sexta-feira, tropas israelenses começaram a se retirar de algumas áreas do território palestino, em cumprimento à primeira fase do acordo de cessar-fogo firmado com o Hamas. O entendimento faz parte de uma iniciativa do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que busca pôr fim à guerra que já dura dois anos.
A Organização das Nações Unidas (ONU) informou que pretende ampliar o envio de ajuda humanitária a Gaza, onde parte da população enfrenta fome, durante os primeiros 60 dias de vigência do cessar-fogo.
De acordo com o Cogat, braço dos militares israelenses responsável por supervisionar o fluxo de ajuda, e com o Programa Mundial de Alimentos (PMA) da ONU, a expectativa é que cerca de 600 caminhões com suprimentos entrem diariamente no enclave palestino.
"Sob o acordo de cessar-fogo, teremos mais de 145 pontos de distribuição comunitários, além de até 30 padarias e todos os nossos locais de nutrição", afirmou Ross Smith, diretor de emergências do PMA, em entrevista à Reuters.
O PMA prevê o aumento das entregas já no início da próxima semana, mas ressalta que o cronograma dependerá da retirada das forças israelenses e da expansão das zonas de segurança humanitária.
O Cogat declarou, em comunicado, que os caminhões operados pela ONU, por "organizações internacionais aprovadas", pelo setor privado e por países doadores terão permissão para entrar em Gaza. As cargas incluirão alimentos, equipamentos médicos, suprimentos para abrigos, combustível e materiais para reparos nas linhas de água e sistemas de esgoto.
Em discurso televisionado, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, destacou que as forças de Israel permanecerão em Gaza para garantir a desmilitarização do território e o desarmamento do Hamas nas próximas etapas do plano de paz.
O PMA reforçou que o acesso ao norte da Faixa de Gaza é crucial, pois até 400 mil pessoas estão há semanas sem qualquer tipo de assistência. A agência também pediu maior agilidade na verificação e aprovação dos comboios de ajuda, a fim de acelerar a entrada dos caminhões no território.
Segundo o Unicef, cerca de 50 mil crianças estão em risco de desnutrição aguda e necessitam de tratamento imediato.
Com informações da Reuters*