Cultura

UEA lança livro sobre lendas do Caprichoso na Bienal do Livro 2025

Obra reúne memórias do Festival de Parintins e valoriza a cultura amazônica

16 de Junho de 2025
Foto: Daniel Brito/UEA

Durante a Bienal do Livro 2025, no Rio de Janeiro, a Editora da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) lançou o livro Caprichoso: o livro das lendas, uma obra que resgata e celebra o legado artístico do Boi Caprichoso. O lançamento ocorreu no estande da Associação Brasileira das Editoras Universitárias (Abeu), no último sábado (14), e emocionou o público presente com sua proposta de valorização da memória cultural amazônica.

Organizado por Diego Omar da Silveira, Thayron Rodrigues Rangel e Roberto Sena, o livro é fruto de um trabalho desenvolvido no Centro de Documentação e Memória do Boi-bumbá Caprichoso (Cedem), que desde 2021 se dedica à preservação da história da agremiação. A publicação reúne lendas apresentadas pelo boi desde 1996, em textos e imagens que revelam a riqueza estética e simbólica do Festival de Parintins.

A obra dá continuidade ao projeto editorial iniciado com O Livro da Toada, lançado em 2021 e reeditado em 2024. Desta vez, o foco recai sobre o universo lendário do boi-bumbá, que ultrapassa o caráter de alegoria para se tornar expressão viva de uma cosmopolítica amazônica, enraizada em tradições indígenas, caboclas e ribeirinhas.

Durante o lançamento, o pró-reitor de Extensão e Assuntos Comunitários da UEA, Darlisom Ferreira, destacou a importância da obra e da Editora UEA como veículo estratégico para difundir o conhecimento produzido na universidade. “É uma honra ver a cultura do Amazonas ganhando espaço em um evento de projeção internacional como a Bienal do Livro”, afirmou.

(Foto: Daniel Brito / UEA)

O professor Diego Omar, docente do Centro de Estudos Superiores de Parintins e um dos organizadores da obra, afirmou que o livro integra a coleção “Bumbás de Parintins, nosso patrimônio”. Ele também adiantou que já estão em planejamento outras publicações, como O Livro dos Rituais e O Livro das Figuras Típicas, com o objetivo de mapear a trajetória visual e ideológica do Caprichoso.

Segundo Diego, o volume e a complexidade do material reunido só puderam ser organizados graças ao esforço coletivo. Ele destacou a colaboração de Thayron Rangel, professor de Arquivologia na UFRJ, da jornalista Júlia Janeiro, responsável pela referenciação das imagens, e das bolsistas Andreyna e Karliane. “Foi um trabalho intenso em pouco tempo, só possível por uma equipe comprometida”, ressaltou.

A diretora da Editora UEA, Isolda Prado, também celebrou a participação da instituição na Bienal. “É um momento histórico para a universidade e para a cultura amazonense. Estamos expandindo a visibilidade do nosso trabalho acadêmico e artístico para o Brasil e o mundo”, declarou.

Entre os visitantes, a emoção tomou conta de torcedores do Boi Caprichoso, como o carioca Miguel da Silva Francisco Lino, de 18 anos. “A paixão pela cultura popular começou com o Carnaval, mas foi o Festival de Parintins que me arrebatou. O Caprichoso é símbolo da cultura brasileira e amazônica, e é emocionante vê-lo representado num livro”, comentou.

Com essa nova publicação, a Editora UEA reforça sua missão de documentar, preservar e divulgar o patrimônio imaterial da Amazônia. O livro não apenas registra a trajetória do boi, mas também amplia o reconhecimento da cultura parintinense no cenário nacional, conectando saberes populares à produção acadêmica e artística contemporânea.

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