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UE propõe tarifas contra Israel e sanções a ministros extremistas e Hamas

Comissão Europeia quer suspender benefícios comerciais e ampliar pressão sobre Tel Aviv.

17 de Setembro de 2025
Foto: Reuters / Yves Herman

A Comissão Europeia propôs nesta quarta-feira (17) a aplicação de tarifas às importações de Israel e a suspensão do acesso preferencial do país ao mercado da União Europeia (UE). O pacote inclui ainda sanções a dois ministros israelenses considerados extremistas, a colonos judeus violentos e a dez membros do Hamas, em reação à grave crise humanitária na Faixa de Gaza.

Segundo o órgão europeu, Israel violou direitos humanos e princípios democráticos previstos no Acordo de Associação firmado com a UE em 2000. Essa constatação abre caminho para que Bruxelas suspenda unilateralmente a base jurídica das relações com Tel Aviv. As medidas, porém, precisam ser aprovadas pelos Estados-membros: para as tarifas é exigida maioria qualificada; para as sanções, unanimidade.

Se aprovadas, as importações israelenses perderão o tratamento preferencial e passarão a ser tarifadas como as de qualquer outro país. No campo das sanções, a proposta prevê incluir nas listas restritivas o ministro das Finanças, Bezalel Smotrich, e o da Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir, além de colonos violentos e integrantes do Hamas. A Comissão sugere ainda suspender o apoio financeiro direto a Israel, excetuando o destinado à sociedade civil e ao memorial do Holocausto.

Em entrevista coletiva em Bruxelas, a chefe da diplomacia europeia, Kaja Kallas, enfatizou: “O objetivo não é punir Israel, mas é melhorar a crise humanitária em Gaza”. Ela defendeu que a UE “aumente a pressão sobre o governo israelense e o force a mudar de rumo porque o que está acontecendo [em Gaza] é realmente insustentável”.

Kallas alertou que a medida teria “custo financeiro muito pesado” para Tel Aviv, lembrando que a UE é o maior parceiro comercial de Israel, responsável por 32% do comércio total de mercadorias do país. Segundo a diplomata, a violação decorre do “rápido agravamento da situação humanitária em Gaza, do bloqueio da ajuda, da intensificação das operações militares e da decisão de avançar com o plano de colonização na área E1 da Cisjordânia, o que compromete ainda mais a solução de dois Estados”.

A guerra na Faixa de Gaza, prestes a completar dois anos, já deixou mais de 64 mil mortos e 160 mil feridos, de acordo com números do governo local controlado pelo Hamas, considerados confiáveis pela ONU. O conflito teve início em 7 de outubro de 2023, quando um ataque do grupo islamita no sul de Israel provocou a morte de 1,2 mil pessoas e o sequestro de 251 reféns.

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