Turismo

Turismo de aventura reacende alerta sobre segurança no Brasil

Após morte de jovem em rope jump, especialistas reforçam importância de verificar Cadastur, normas técnicas e estrutura das empresas antes da contratação

Por: Portal Amz em Pauta
18 de Junho de 2026
Foto: Secretaria de Turismo/Prefeitura de Brotas/Direitos Reservados

A morte da jovem Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, durante uma atividade de rope jump em uma ponte desativada em Limeira, no interior de São Paulo, reacendeu o debate sobre a segurança no turismo de aventura no Brasil. O caso levanta dúvidas sobre a regulamentação do setor, a fiscalização das empresas e os cuidados que consumidores devem tomar antes de contratar esse tipo de serviço.

A principal referência para verificar se uma empresa atua de forma regular é o Cadastur, cadastro de prestadores de serviços turísticos do Ministério do Turismo. O registro é obrigatório para empresas de turismo de aventura e permite consultar, pelo nome ou CNPJ, se a prestadora está formalizada e autorizada a operar. 

Além do cadastro, o Decreto nº 7.381/2010 exige que empresas do setor tenham sistema de gestão de segurança. A regra toma como referência a norma ABNT NBR ISO 21101, voltada ao turismo de aventura, que prevê procedimentos documentados, checagem de equipamentos, treinamento de equipes, avaliação de riscos e plano de emergência. 

Especialistas alertam que o consumidor deve desconfiar de empresas que não informam CNPJ, não emitem nota fiscal, não apresentam contrato de prestação de serviço ou não explicam quais normas de segurança seguem. Preços muito baixos também podem indicar ausência de seguros, equipamentos certificados, manutenção adequada ou profissionais qualificados.

Segundo a Associação Brasileira das Empresas de Ecoturismo e Turismo de Aventura (Abeta), a informalidade ainda é um problema no setor. A entidade afirma que atividades como rapel, tirolesa, trilha e rope jump muitas vezes são vistas como simples, quando, na prática, exigem planejamento técnico, gestão de risco e equipe treinada.

A fiscalização também depende da atuação do poder público. Enquanto a União organiza as regras gerais, estados e municípios podem exigir Cadastur, alvarás e licenças para o funcionamento das empresas, além de fiscalizar o uso de espaços públicos ou atrativos turísticos locais.

No caso de Maria Eduarda, a Polícia Civil investiga as circunstâncias da queda. Três instrutores foram presos, e a apuração busca esclarecer falhas no procedimento de segurança e responsabilidades pela atividade. Até a conclusão das investigações, especialistas reforçam que consumidores devem consultar registros oficiais e cobrar informações claras antes de participar de qualquer atividade de aventura.

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