Reunião ocorre em meio ao aumento das ações judiciais e à disputa em torno do canal “Exército do Lula” no WhatsApp.
O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, reúne nesta terça-feira (13) representantes das campanhas de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). O encontro ocorre em meio ao crescimento das disputas judiciais entre os dois candidatos à Presidência durante o segundo turno das Eleições 2026.
Um dos principais focos de tensão é o canal “Exército do Lula”, no WhatsApp, administrado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG). O espaço reúne milhões de seguidores e passou a ser alvo de uma disputa judicial depois que a campanha de Flávio Bolsonaro acusou o canal de disseminar conteúdos falsos e ofensivos contra o senador.
No domingo (11), Nunes Marques determinou a suspensão do canal até o fim do segundo turno. A decisão também previa a preservação e apresentação de mensagens publicadas no espaço. Horas depois, porém, o corregedor-geral eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, permitiu que o canal voltasse a funcionar, aumentando o desgaste interno no tribunal e as críticas das duas campanhas.
A campanha de Flávio Bolsonaro sustenta que o canal teria sido usado para coordenar a divulgação de informações falsas contra o candidato e para orientar seguidores sobre conteúdos a serem compartilhados. Em ação apresentada ao TSE, Flávio também pediu investigação sobre eventual uso de recursos públicos de campanha e solicitou a preservação de provas digitais. O corregedor, porém, ressaltou que o recebimento da ação não significa reconhecimento da veracidade das acusações.
Do outro lado, técnicos ligados à estrutura de enfrentamento à desinformação do TSE não teriam identificado, segundo as informações apresentadas, conteúdos falsos suficientes para justificar a suspensão integral do canal. Ainda assim, foram levantadas preocupações sobre a velocidade de circulação das mensagens, o tom de confronto e a dificuldade de recuperar todo o histórico das publicações para fiscalização.
Lula criticou as decisões envolvendo o canal e afirmou que pretende continuar utilizando ferramentas como o WhatsApp para mobilizar apoiadores durante a campanha. O presidente também defendeu que eventuais irregularidades sejam apontadas de forma objetiva e cobrou tratamento igualitário da Justiça Eleitoral para as duas candidaturas.
A reativação do “Exército do Lula” continua sendo uma decisão provisória, e o caso ainda deverá ser analisado pelo plenário do TSE. A reunião desta terça-feira busca reduzir o nível de conflito entre as campanhas e esclarecer os critérios adotados pela Justiça Eleitoral em um momento de intensa judicialização da disputa presidencial.