Medida, anunciada na quarta-feira (26), visa pressionar o regime de Nicolás Maduro e ocorre em meio à crise migratória
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta quarta-feira (26) que cancelará a licença da Chevron para operar na Venezuela, a partir do dia 1º de março. A autorização, que permitia à petroleira expandir suas operações no país e exportar petróleo para os EUA, vinha contornando as sanções impostas à Venezuela.
A decisão foi justificada por Trump com base nas condições eleitorais da Venezuela e na política de deportação de imigrantes dos EUA. “O regime [da Venezuela] não tem transportado os criminosos violentos que enviaram para o nosso país (os bons e velhos EUA) de volta para a Venezuela no ritmo rápido que haviam acordado”, escreveu Trump em uma rede social.
Em novembro de 2022, o governo do presidente Joe Biden havia concedido autorizações especiais à Chevron, flexibilizando o embargo imposto à Venezuela. A licença permitiu que a petroleira americana aumentasse sua participação na economia local, ajudando na recuperação econômica do país.
A vice-presidente venezuelana, Delcy Rodríguez, criticou a decisão, chamando-a de "lesiva e inexplicável" e afirmou que Trump, ao tentar prejudicar os venezuelanos, acaba afetando negativamente os EUA e suas empresas. “Venezuela ressalta que este tipo de ações falidas impulsionaram a migração dos anos 2017 a 2021, com consequências amplamente conhecidas", declarou Rodríguez, destacando o compromisso da Venezuela com sua soberania.
Desde agosto de 2017, a Venezuela enfrenta uma série de sanções econômicas aplicadas pelos EUA e pela União Europeia, afetando setores financeiros, petrolíferos e minerais. Essas medidas contribuíram para uma crise econômica profunda, que resultou na perda de cerca de 7 milhões de venezuelanos devido à migração.
A oposição venezuelana vinha pressionando os EUA para retirar a licença da Chevron como forma de aumentar a pressão sobre o governo de Nicolás Maduro, acusado de fraudar as eleições presidenciais de 2024. A líder oposicionista, Corina Machado, afirmou que a decisão “envia uma mensagem clara de que Maduro está em grandes apuros e que o presidente Trump está com o povo venezuelano”.
Trump 2.0
Após retornar à Casa Branca em janeiro deste ano, Trump enviou Richard Grenell, seu emissário especial, a Caracas para negociar com Maduro. Embora houvesse expectativa de que o governo dos EUA adotasse uma postura mais estável em relação a Maduro, diferente da política de "máxima pressão" de seu primeiro mandato, Grenell afirmou recentemente que Trump não pretende promover “mudanças de regime”.
Com informações da Agência Brasil.