Republicano promete acabar com o conflito no Leste Europeu "24 horas" após assumir a presidência em 20 de janeiro
O presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que está preparando uma reunião com o presidente da Rússia, Vladimir Putin, para buscar uma solução para a Guerra da Ucrânia. Em declarações feitas nesta quinta-feira (9), Trump revelou que Putin manifestou interesse em se encontrar com ele e que as negociações para agendar o encontro já estão em andamento. “Ele quer que nos encontremos, e estamos no processo de organizar isso. Temos que acabar com essa guerra, que é um verdadeiro banho de sangue", afirmou o republicano durante uma reunião com governadores de seu Partido Republicano em seu resort em Mar-a-Lago, na Flórida.
Trump, que assume seu segundo mandato na Casa Branca em 20 de janeiro, havia prometido durante sua campanha encerrar o conflito na Ucrânia em 24 horas após sua eleição. No entanto, a possibilidade de tal resolução gerou preocupações, com muitos temendo que ele possa forçar Kiev a ceder grandes porções de território, essencialmente reconhecendo a vitória de Moscou no conflito.
Em junho passado, Putin apresentou os termos para o fim da guerra, incluindo a renúncia do presidente ucraniano Volodimir Zelenski às quatro regiões anexadas ilegalmente pela Rússia e a desistência da Ucrânia em aderir à OTAN, a aliança militar ocidental.
Os Estados Unidos têm sido os maiores apoiadores da Ucrânia desde a invasão russa em fevereiro de 2022. De acordo com o Instituto da Economia Mundial de Kiel, o governo de Joe Biden já enviou cerca de R$ 550 bilhões para a Ucrânia, sendo aproximadamente R$ 370 bilhões destinados à ajuda militar.
O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, se mostrou positivo em relação à proposta de Trump de se reunir com Putin, afirmando que os requisitos seriam um desejo mútuo e a disposição política para o diálogo. "Aparentemente, depois que Trump entrar no Salão Oval, haverá algum movimento", disse Peskov. O presidente russo já havia demonstrado abertura para o encontro com Trump no mês passado, durante sua sessão anual de perguntas e respostas transmitida pela televisão.
Enquanto isso, uma visita de um enviado de Trump à Ucrânia, programada para os próximos dias, foi adiada. O general da reserva Keith Kellogg, conselheiro de segurança nacional de Trump, visitaria a Ucrânia, mas a viagem foi remarcada para depois da posse, segundo a chancelaria ucraniana. A remarcação foi explicada como uma questão legal, e não política.
Peskov também criticou a administração de Joe Biden, que está prestes a concluir seu mandato, afirmando que o governo atual tentará deixar um legado “mais oneroso” nas relações bilaterais para o próximo presidente.