Tropas da Guarda Nacional são mobilizadas enquanto tensão política se intensifica.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fez nesta quarta-feira (8) um apelo público para a prisão do prefeito de Chicago, Brandon Johnson, e do governador de Illinois, JB Pritzker, ambos democratas, acusando-os de não proteger agentes da imigração (ICE). A declaração ocorre simultaneamente ao envio planejado de tropas federais à cidade, gerando uma escalada na disputa entre autoridades estaduais e federais.
Trump usou sua plataforma de mídia social para afirmar que o prefeito “deveria estar na cadeia por não proteger os oficiais da ICE” e que “o governador Pritzker também”.
Até o momento, Johnson e Pritzker não comentaram formalmente o pedido de prisão.
Mobilização militar e resistência local
A ação se dá em meio à mobilização de tropas da Guarda Nacional do Texas, que foram posicionadas em instalações militares nos arredores de Chicago, apesar da oposição dos governantes locais.
As tropas, segundo a administração Trump, devem apoiar operações de imigração e reforçar a segurança federal.
Líderes democratas, por sua vez, acusam Trump de tentar fomentar uma crise para justificar o uso de forças armadas contra cidades governadas por opositores.
O governador Pritzker chegou a classificar a movimentação como uma “marcha autoritária” e tomou medidas legais para barrar a mobilização das tropas.
A disputa também envolve o risco de Trump invocar a Insurrection Act, uma lei de 1807 que autoriza o uso das forças armadas para reprimir distúrbios domésticos e insurreições, caso autoridades estaduais resistam.
Contexto político e críticas
O momento coincide com o processo criminal contra o ex-diretor do FBI, James Comey, rival político de Trump, que compareceu ao tribunal após ser acusado de crimes que muitos consideram relacionados a disputas políticas.
Embora Trump tenha frequentemente pedido prisões de oponentes desde que entrou na política em 2015, esta é uma das mais graves investidas contra autoridades eleitas em exercício, com implicações constitucionais e de separação de poderes.
Em resposta à mobilização presidencial, muitos americanos demonstraram oposição ao uso de tropas federais em cidades sem existência de ameaça externa. Uma pesquisa Reuters/Ipsos mostrou que a maioria rejeita esse tipo de ação.
A situação segue em desenvolvimento, com embates judiciais previstos e forte resistência das autoridades estaduais e municipais contra o que classificam como abuso de poder.