A declaração do presidente dos EUA ocorreu poucas horas depois de a Rússia questionar a legitimidade de Zelensky, alegando que o seu mandato terminou em maio de 2024
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, chamou o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, de “ditador sem eleições” em uma postagem na rede Truth Social nesta quarta-feira (19). Ele afirmou que Zelensky precisa agir rápido ou “não terá mais um país”.
Trump também criticou a gestão do presidente ucraniano, dizendo que a Ucrânia está devastada e que milhões de pessoas morreram desnecessariamente. O comentário veio após Zelensky acusar Trump de viver em um “espaço de desinformação” criado pela Rússia.
A declaração do presidente dos EUA ocorreu poucas horas depois de a Rússia questionar a legitimidade de Zelensky, alegando que o seu mandato terminou em maio de 2024. A Ucrânia, no entanto, está sob lei marcial desde 2022, o que suspendeu as eleições presidenciais até o fim da guerra.
Trump também voltou a criticar os gastos dos EUA na guerra, afirmando que os americanos já investiram US$ 350 bilhões no conflito e que, sem esse apoio, a Ucrânia não conseguirá resolver a situação. Ele ainda declarou que o conflito na Ucrânia é um problema maior para a Europa do que para os Estados Unidos.
Após a publicação de Trump, o ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andrii Sybiha, declarou que o país "decidiu a ceder à pressão de Putin" e garantiu que defenderá seu direito de existir. Zelensky, por sua vez, afirmou que continua com o apoio da maioria da população ucraniana.
O presidente ucraniano publicou uma pesquisa que aponta que 58% dos ucranianos ainda investem em sua liderança. Ele acusou a Rússia de espalhar desinformação sobre sua popularidade e negou a afirmação de Trump de que teria apenas 4% de aprovação.
Enquanto isso, na terça-feira (18), representantes dos Estados Unidos e da Rússia se reuniram na Arábia Saudita para discutir um possível acordo para encerrar a guerra na Ucrânia. O encontro foi liderado pelo secretário de Estado americano, Marco Rubio, e pelo ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov.
Os dois países anunciaram a criação de equipes para buscar uma solução “duradoura e sustentável” para o conflito. No entanto, a Ucrânia e a Europa não foram convidadas para a reunião, o que gerou surpresa e críticas de Zelensky.
Durante o encontro, Lavrov afirmou que as negociações foram “muito úteis” e que os Estados Unidos agora entendem melhor a posição da Rússia. O Departamento de Estado Americano declarou que também foram discutidas possíveis oportunidades econômicas e de investimento para o pós-guerra.
No mesmo dia das negociações entre americanos e russos, Zelensky esteve na Turquia para uma reunião com o presidente Recep Tayyip Erdogan. O líder ucraniano reforçou que qualquer decisão sobre o futuro da Ucrânia deve ser tomada com a participação do país e não “pelas nossas costas”.