Ciência e Tecnologia

Torneio de "Sumô Robô"no Japão tem final entre estudantes brasileiros

Equipe vencedora foi representada por duas alunas

21 de Dezembro de 2024
Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Uma competição histórica de robótica realizada no Japão teve um desfecho memorável neste mês, com duas equipes brasileiras disputando a final do All Japan Robot Sumo Tournament ("Torneio de Sumô Robô do Japão", em português). A equipe MinervaBots, da Escola Politécnica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), enfrentou a Kimauánisso Robotics Team, do Instituto Mauá de Tecnologia, e conquistou o título mundial na categoria "Mini Sumô". A final aconteceu no domingo (8), último dia do torneio, que contou com 63 robôs de diversas nacionalidades. 

O robô Zé Pequeno foi o responsável pela vitória de 2 a 0. Na competição, dois "sumobots" se enfrentam com o objetivo de empurrar o adversário para fora de uma arena circular, de forma similar à tradicional luta japonesa. O evento ocorreu na arena Ryogoku Kokugikan, em Tóquio, palco de grandes disputas dessa arte marcial. 

Representação no torneio 

Presente no torneio desde sua criação, em 2012, o MinervaBots foi representado no Japão pelas alunas Anne Victória Rodrigues da Costa, estudante de engenharia mecânica, e Lígia Bonifácio, estudante de engenharia eletrônica e computação. Lígia, que integra a equipe há dois anos, compartilhou que conquistar o torneio sempre foi um sonho do grupo. “Chegar lá como finalistas mundiais foi uma grande conquista, mas também um grande desafio. Eu e a Anne estávamos apreensivas. A competição foi dura, exigiu que mudássemos estratégias e recalculássemos rotas, mas confiamos no trabalho de toda a equipe e conseguimos vencer adversários fortíssimos”, contou. 

Participação feminina na tecnologia 

A equipe MinervaBots é composta por cerca de 30 membros, com uma gestão interna formada apenas por alunos. Lígia destacou que a participação no torneio é fruto de uma década de trabalho árduo. “São 12 anos de pessoas que trabalharam com dedicação para que hoje pudéssemos alcançar o título mundial. Foi incrível entrar na arena com a certeza de que não estávamos representando apenas a equipe atual, mas toda a trajetória construída por aqueles que vieram antes de nós”, afirmou. 

A vitória, para Lígia, também serve como reconhecimento da contribuição das mulheres na área tecnológica. "Ser mulher na engenharia não é fácil. E os desafios que enfrentamos até aqui nos prepararam para esse momento. Durante o torneio, fomos surpreendidas com o incentivo constante, inclusive de membros do staff e de outras competidoras. Pudemos observar muitas mulheres de todas as idades se enxergarem em nós, e isso foi muito significativo", lembrou. 

No Brasil, as mulheres representam uma pequena parcela dos alunos nos cursos de computação e tecnologias da informação, com dados do IBGE apontando que apenas 15% das alunas concluem cursos nessas áreas. Para Lígia, a conquista tem um impacto além do troféu. “Queremos que ela sirva de inspiração para meninas e mulheres que desejam entrar na ciência, na tecnologia e em competições de alto nível como essa”, afirmou. A vitória é, segundo ela, uma prova de que mulheres “não só podem, como devem ocupar espaços na engenharia e na tecnologia”. 

O robô Zé Pequeno 

Anne, também integrante do MinervaBots desde 2022, foi a responsável por operar o robô Zé Pequeno, que foi projetado em 2014 e passou por várias atualizações desde então. “O Zé Pequeno foi um dos primeiros na história da MinervaBots e teve inúmeras atualizações para acompanhar as inovações da categoria”, explicou. O robô competiu na categoria “Mini Sumô 500 g - Autônomo”, onde as máquinas operam de forma independente, com estratégias planejadas pelos operadores. No caso do Zé Pequeno, ele conta com bandeiras reflexivas para confundir os sensores do adversário. 

“Essa conquista não só honrou o trabalho de tantas gerações da MinervaBots, como também serviu de incentivo para que meninas brasileiras enxerguem as exatas e a robótica como o seu lugar”, disse Anne, estudante de engenharia mecânica. 

Reconhecimento e apoio institucional 

O professor Vitor Ferreira Romano, orientador da equipe e docente da Escola Politécnica da UFRJ, destacou o valor da vitória para o campo tecnológico nacional. “É um evento de nível mundial, com tradição, e conseguir o primeiro lugar enquanto universidade pública e federal nos deixa muito felizes. Isso incentiva os alunos a participarem mais desses eventos e acreditarem em si mesmos”, afirmou. 

Anne também observou que o Brasil está se consolidando como uma referência no campo da robótica competitiva. “Quatro dos oito melhores robôs do mundo no torneio eram brasileiros, mostrando o crescimento do país nesse setor. Com mais incentivo e visibilidade, tenho certeza de que podemos chegar ainda mais longe”, afirmou. 

Representatividade nacional 

O professor Anderson Harayashiki Moreira, da equipe Kimauánisso Robotics Team, também expressou orgulho pela presença das equipes brasileiras na final do torneio. “Esse feito mostra que, com os incentivos certos, conseguimos competir em pé de igualdade com as maiores equipes do mundo. Isso coloca o Brasil em destaque no cenário internacional de robótica e tecnologia”, afirmou. 

A equipe Kimauánisso, composta por 40 integrantes, conquistou a segunda e terceira posições na categoria “Sumô Mini 500 g - Rádio Controlado” e o segundo lugar em “Sumô Mini 500 g - Autônomo”, competindo diretamente com o Zé Pequeno. Moreira destacou que os resultados representam uma conquista que “inspira e abre portas para novas oportunidades no campo tecnológico nacional”.

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