Considerado modelo pioneiro no Brasil, o cadastro já desperta interesse de outras regiões do país
O Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM), por meio da Corregedoria-Geral de Justiça (CGJ-AM), lançou um cadastro inédito de profissionais indígenas para atuar no sistema judiciário. A iniciativa foi destacada pelo cacique Ismael Munduruku, líder do Parque das Tribos, como um marco de inclusão social e cultural. O cadastro busca integrar indígenas como peritos, intérpretes e defensores, promovendo maior acessibilidade e representatividade no sistema de Justiça.
Durante o evento de lançamento, realizado no auditório da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), o desembargador Cezar Bandiera reforçou o compromisso do TJAM em garantir a cidadania e o respeito aos povos originários. A iniciativa, que cumpre o Provimento Conjunto nº 01/2024, permitirá que indígenas participem de processos judiciais que envolvem suas comunidades, com traduções específicas para suas línguas e culturas.
O juiz-auxiliar Aldrin Henrique destacou que o banco de dados proporcionará visibilidade às qualificações e etnias dos profissionais indígenas. Segundo ele, isso permitirá que os serviços judiciais atendam à diversidade cultural, criando uma ponte entre as demandas jurídicas e as realidades dos povos originários.
O cacique Ismael Munduruku, que representou o Parque das Tribos, maior bairro indígena do Brasil, afirmou que o projeto é uma oportunidade histórica de reconhecimento e valorização profissional para os indígenas. Ele também destacou o papel do cadastro na construção de uma sociedade mais justa e inclusiva, em parceria com o poder público.
Manaus tem aproximadamente 100 mil indígenas, muitos deles com formação profissional, mas ainda enfrentam desafios de inserção no mercado de trabalho. O cadastro do TJAM se apresenta como uma solução concreta para ampliar oportunidades e garantir o respeito às competências desses profissionais.
Considerado modelo pioneiro no Brasil, o cadastro já desperta interesse de outras regiões do país. Ele reforça o compromisso do Judiciário com a promoção de uma Justiça inclusiva e acessível, ao reconhecer e valorizar as contribuições dos povos indígenas na construção de uma sociedade plural e equitativa.