Economia

Tarifas mexicanas ameaçam exportações brasileiras e podem gerar impacto bilionário na indústria nacional

Aumento aprovado no Congresso do México prevê taxas de até 50% para 19 setores

12 de Dezembro de 2025
Foto: Divulgação

O aumento das tarifas de importação aprovado pelo Congresso do México pode afetar cerca de US$ 1,7 bilhão das exportações da indústria brasileira, segundo alerta da Confederação Nacional da Indústria. A medida autoriza a aplicação de taxas que chegam a 50% sobre produtos de 19 setores industriais e ainda aguarda sanção da presidente mexicana, Claudia Sheinbaum.

De acordo com a CNI, a proposta pode atingir diretamente 232 produtos da indústria de transformação do Brasil, que responderam por aproximadamente 14,7% de tudo o que o país exportou para o México em 2024. O impacto preocupa o setor produtivo brasileiro, que vê risco de perda de competitividade no mercado mexicano.

O Brasil aparece como o quinto país mais afetado pelo aumento tarifário anunciado pelo México. Entre os principais produtos atingidos estão aço, autopeças, eletrodomésticos, têxteis, móveis e alumínio, segmentos que concentram grande volume de exportações e geração de empregos no país.

As novas tarifas devem entrar em vigor a partir de 2026 e incidirão sobre importações provenientes de países que não possuem acordo de livre comércio com o México. Além do Brasil, a lista inclui China, Coreia do Sul, Índia, Vietnã, Tailândia, Indonésia, Taiwan, Nicarágua, Emirados Árabes Unidos e África do Sul.

Conforme o texto aprovado, a alíquota média de importação pode mais que dobrar, passando de 16,1% para 33,8%, com possibilidade de chegar ao teto de 50% em determinados produtos. A elevação é considerada significativa e tende a encarecer mercadorias brasileiras no mercado mexicano.

A CNI avalia que os acordos comerciais atualmente em vigor entre Brasil e México não são suficientes para neutralizar os impactos do aumento tarifário. Um estudo da entidade aponta que, do valor total potencialmente afetado, 59,8% das exportações contam com preferência tarifária integral, enquanto 40,2% não possuem cobertura ou têm apenas benefícios parciais, geralmente limitados a 20%.

Segundo a confederação, Brasil e México firmaram, em agosto de 2025, um plano de trabalho para atualizar os acordos bilaterais, com previsão de conclusão de um novo instrumento comercial em 2026. A proposta mexicana, no entanto, pode elevar custos de produção e comprometer os fluxos de comércio e investimentos entre os dois países.

Apesar de avanços pontuais, como o acordo de cooperação agropecuária firmado em agosto deste ano, o México descartou posteriormente a negociação de um acordo de livre comércio com o Brasil. Para a indústria nacional, esse cenário aumenta a incerteza e reforça a necessidade de diálogo diplomático para reduzir os efeitos da nova política tarifária.

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