Economia

Tarifaço dos EUA afeta exportação de mel, mas embarque é retomado

Produtores do Piauí negociam com importadores e avaliam dividir custo da tarifa.

14 de Julho de 2025
Foto: Reprodução / TV Clube

A Central de Cooperativas Apícolas do Semiárido Brasileiro (Casa Apis) informou nesta segunda-feira (14) que o embarque de contêineres com 95 toneladas de mel orgânico, produzidas no Piauí, foi liberado na noite de domingo (13), após apelo dos produtores a compradores norte-americanos. A carga estava programada para sair na última sexta-feira (11), mas o envio foi suspenso por decisão dos clientes dos Estados Unidos, diante da iminência da tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, prevista para entrar em vigor em 1º de agosto.

Os contêineres já estavam prontos no Porto do Pecém, em São Gonçalo do Amarante (CE), a mais de 500 km da sede da Casa Apis, localizada no município de Picos (PI).

"Há mais de 15 anos trabalhamos com esses clientes. Na sexta-feira, fomos surpreendidos com a solicitação de suspensão do envio. Graças a Deus, recebemos a notícia ontem (13) à noite de que o embarque foi liberado, atendendo à nossa solicitação feita aos clientes", afirmou Sitônio Dantas, presidente da Casa Apis.

Contratos seguem firmes e alternativas são avaliadas

Apesar do impasse momentâneo, os contratos com os importadores seguem mantidos. Segundo Sitônio, a expectativa é de que cerca de mil toneladas adicionais de mel ainda sejam exportadas até dezembro, além das mil toneladas já embarcadas entre janeiro e junho deste ano.

"O que havia sido suspenso era o embarque, não os negócios. Nós temos contratos com essas empresas firmados até dezembro. Podemos dizer que estamos na metade desses contratos", explicou.

Sitônio afirmou que, caso a tarifa seja mantida em 50%, os produtores já estudam como proceder. Uma das possibilidades é dividir o custo adicional com os importadores americanos. "Provavelmente, se permanecer 50%, o que é inviável para quase todos os negócios, vamos negociar, e o consenso é de que vamos dividir essa despesa entre nós, exportadores e importadores", destacou.

Impactos climáticos também preocupam o setor

Além da incerteza quanto ao tarifaço do governo Trump, os apicultores enfrentam os efeitos de uma estiagem severa no semiárido. “A seca comprometeu nossa safra, e a previsão é de uma queda em torno de 40% na produção em 2025. E agora mais essa questão [o tarifaço]. Vamos torcer e pedir a Deus para que tudo se encaminhe para um desfecho positivo”, afirmou Sitônio Dantas.

Os Estados Unidos consomem 80% do mel produzido no Brasil. Em 2024, embora não tenha sido o maior produtor nacional, o estado do Piauí liderou o ranking brasileiro de exportações do produto para o mercado americano.

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