Presidente da Comissão Europeia afirma que novas tarifas dos EUA são um golpe na economia global; países como Japão, França e Itália se preparam para reagir
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, classificou as novas tarifas anunciadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, como um grande golpe para a economia global. Ela também afirmou que a União Europeia (UE) está se preparando para adotar medidas retaliatórias caso as negociações com Washington fracassem.
Em uma declaração feita nesta quinta-feira (3) em Samarkand, no Uzbequistão, antes de uma cúpula de parceria UE-Ásia Central, von der Leyen explicou que a União Europeia já está finalizando um primeiro pacote de tarifas sobre até 26 bilhões de euros de produtos norte-americanos. Essas tarifas são uma resposta às medidas de Trump sobre aço e alumínio, que entraram em vigor em 12 de março.
"E agora estamos nos preparando para outras contramedidas a fim de proteger nossos interesses se as negociações fracassarem", afirmou von der Leyen. A ameaça de novas tarifas do presidente norte-americano inclui uma taxa mínima de 10% sobre a maioria dos produtos importados para os EUA, além de um aumento de 20% para os produtos da União Europeia.
Enquanto a UE se prepara para reagir, outros países também estão se posicionando. Um porta-voz do governo francês afirmou que novas medidas, que podem incluir tarifas sobre uma gama mais ampla de produtos e serviços, começarão a ser implementadas no final de abril. Embora nada tenha sido definido ainda, especula-se que os serviços digitais possam ser o foco principal.
Por sua vez, a primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, declarou que a União Europeia fará esforços para chegar a um acordo com os EUA, evitando uma guerra comercial, mas não descartou uma resposta "adequada" caso as negociações não avancem.
Consequências Econômicas no longo prazo
A diretora do Federal Reserve (Fed), Adriana Kugler, comentou sobre os impactos econômicos das tarifas crescentes, advertindo que elas poderiam prolongar a inflação de forma mais duradoura do que o inicialmente previsto. "Pode haver razões pelas quais as tarifas têm efeitos mais prolongados", afirmou, destacando que os efeitos poderiam se estender por vários setores da economia, afetando a cadeia de suprimentos.
Kugler também alertou que as tarifas podem distorcer os preços e até transferir capital para a produção de bens em áreas onde os EUA não possuem uma vantagem comparativa, o que teria impactos econômicos negativos a longo prazo.
Situação internacional e isenções
Embora o presidente Donald Trump tenha imposto tarifas a vários países, alguns dos que mais sofrem sanções, como Rússia, Bielorrússia, Cuba e Coreia do Norte, foram poupados de novas tarifas. A Casa Branca justificou a ausência desses países na lista de "tarifas recíprocas" alegando que já existem sanções e tarifas elevadas sobre esses países.
Trump, que anunciou tarifas de 10% sobre a maioria dos produtos importados para os EUA, também estabeleceu uma tarifa de 54% sobre as exportações chinesas. O presidente afirmou que a guerra econômica imposta por seu governo visa corrigir anos de "abuso" por parte de parceiros comerciais, especialmente a China.
Reações Globais
Enquanto isso, o Japão expressou sua decepção com a falta de isenção para o país nas novas tarifas e prometeu tomar medidas para apoiar a sua indústria, principalmente a automobilística, que já foi atingida pela taxa de 25% sobre todas as importações de automóveis para os EUA. O governo japonês questionou também a conformidade das tarifas com os acordos da Organização Mundial do Comércio (OMC).
O impacto das novas tarifas foi estimado pelo Instituto de Pesquisa Daiwa, que previu uma redução de 0,6% no PIB real do Japão neste ano devido à imposição das tarifas dos EUA. A medida representa um golpe significativo para a indústria automotiva japonesa, responsável por uma parte considerável da economia do país.
Com o aumento das tensões comerciais, o mundo observa atentamente as repercussões da decisão de Trump e as possíveis respostas de seus aliados e parceiros comerciais.
Com informações da Reuters e Agência Brasil.