Economia

Tarifa adicional dos EUA sobre produtos brasileiros entra em vigor

Sobretaxa de 25% atinge cerca de 3 mil itens, enquanto governo brasileiro avalia medidas diplomáticas e econômicas.

Por: Portal Amz em Pauta
22 de Julho de 2026
Foto: Abio Teixeira / AFP

A tarifa adicional de 25% aplicada pelos Estados Unidos sobre produtos importados do Brasil entrou em vigor nesta quarta-feira (22). A medida alcança cerca de 3 mil mercadorias brasileiras e aumenta os custos para empresas americanas que compram esses produtos. Itens considerados estratégicos para o mercado dos Estados Unidos, como petróleo, café e carne bovina, ficaram fora da sobretaxa.

A cobrança será feita aos importadores no momento da entrada dos produtos brasileiros no território americano. Na prática, a elevação dos preços pode reduzir a competitividade das mercadorias nacionais e diminuir as compras feitas por empresas dos Estados Unidos. Mais de 2 mil produtos foram excluídos da medida por razões econômicas ou pela baixa produção americana desses itens.

Entre as principais exportações brasileiras que permaneceram fora da nova tarifa estão petróleo bruto, café em grão, aeronaves, carne bovina, celulose, suco de laranja, ferro-gusa e ferro-nióbio. Por outro lado, máquinas industriais, pneus, açúcar, etanol, tabaco, madeira, calçados e determinados produtos de alumínio serão atingidos.

Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, a sobretaxa alcançará 18% das exportações brasileiras destinadas aos Estados Unidos, considerando os dados de 2024. O volume corresponde a US$ 7,4 bilhões, cerca de R$ 37,6 bilhões. Com base nas vendas de 2025, o impacto seria de US$ 5,8 bilhões, aproximadamente R$ 29,4 bilhões.

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil estima que o agronegócio poderá ter R$ 4,6 bilhões por ano em exportações afetadas. O montante representa 36,5% das vendas do setor aos Estados Unidos. Apesar disso, o governo avalia que os efeitos sobre a economia brasileira devem ser limitados pela quantidade de produtos que permaneceram sem a cobrança adicional.

A medida foi adotada após uma investigação do Representante de Comércio dos Estados Unidos, realizada com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. O órgão afirmou que algumas políticas brasileiras seriam “irracionais” ou “restritivas” e poderiam “onerar ou restringir” o comércio americano.

Entre os temas citados estão o sistema de pagamentos PIX, a regulamentação de plataformas digitais, os acordos comerciais mantidos pelo Brasil, o combate ao desmatamento ilegal, o mercado de etanol, a propriedade intelectual e as políticas de enfrentamento à corrupção.

O governo brasileiro contestou as justificativas e classificou a tarifa como um “marco lastimável” nas relações entre os dois países. A avaliação em Brasília é de que a medida tem motivação política e busca interferir em assuntos internos considerados inegociáveis, como o funcionamento do PIX.

O vice-presidente Geraldo Alckmin classificou a decisão americana como “injusta e descabida” e declarou que o Brasil “não saiu da mesa de negociação”. O governo federal pretende manter o diálogo diplomático antes de adotar possíveis medidas de reciprocidade.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que ainda “não cabe falar em retaliação” aos Estados Unidos. “Nós seguiremos protegendo a nossa soberania geológica sem 'viralatice' e seguiremos protegendo a nossa democracia contra a interferência internacional indevida”, afirmou.

Uma das opções analisadas é a aplicação da Lei da Reciprocidade Econômica. A legislação, sancionada em 2025, permite que o Brasil adote medidas contra países ou blocos que imponham barreiras comerciais, legais ou políticas aos produtos brasileiros. Até o momento, nenhuma ação concreta foi anunciada com base na lei.

Representantes dos setores afetados têm defendido uma resposta diplomática para evitar o agravamento das tensões comerciais. Empresários do segmento de máquinas, por exemplo, pediram que o governo priorize negociações técnicas e empresariais com os Estados Unidos.

Especialistas apontam como alternativas a negociação individual dos produtos atingidos, o uso da Lei da Reciprocidade como instrumento de pressão e o diálogo com empresas, parlamentares e governos locais americanos que possam ser afetados pela elevação dos preços.

O governo federal também prepara medidas de apoio às empresas prejudicadas. Entre as propostas está a abertura de linhas de crédito condicionadas à manutenção de empregos, além de investimentos complementares ao Plano Brasil Soberano.

A ApexBrasil prepara ainda um programa para diversificar os mercados das empresas afetadas. A iniciativa, prevista para o início de agosto, terá investimento de R$ 130 milhões e deverá ser desenvolvida em parceria com o setor privado.

Existe a possibilidade de uma nova sobretaxa de 12,5% ser aplicada aos produtos brasileiros por supostas falhas na fiscalização de mercadorias produzidas com trabalho forçado. Caso o percentual seja acumulado à taxa atual, a cobrança poderá chegar a 37,5%. A confirmação da nova medida pode ocorrer na sexta-feira (24).

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