"Só precisamos que eles deixem a gente embarcar. Preciso levar o Tedy até a minha irmã. Ela está mal, estressada"
Um voo da TAP Air Portugal, que partiria do Aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro, para Lisboa no último sábado (24), foi cancelado após a companhia aérea se recusar a embarcar um cão de serviço, mesmo diante de uma ordem judicial. O animal, chamado Tedy, acompanha uma criança de 12 anos com espectro autista, que aguarda o cão em Portugal há um mês e meio.
Segundo a família, a TAP insistiu que o cão fosse transportado no bagageiro, o que contraria a decisão da 5ª Vara Cível de Niterói, que autorizava a viagem do animal na cabine, ao lado de Hayanne, irmã da criança. A passageira se recusou a despachar o animal, e a empresa não permitiu o embarque.
Diante da negativa da companhia, a Polícia Federal autuou um gerente da TAP por desobediência à decisão judicial. Um segundo voo, que deveria partir às 20h25 do mesmo dia, também enfrentou atrasos e só começou o check-in às 23h45. Ainda assim, o cão não foi autorizado a embarcar.
Voo das 15h40 do último sábado (24), da Companhia TAP, cancelado pela empresa (Foto: Divulgação)
Com o impasse, Hayanne também não embarcou. "Voltamos para casa. Na segunda-feira entraremos com mais um pedido", informou. A validade do Certificado Veterinário Internacional (CVI), documento necessário para o transporte do animal, expirou no domingo (25), o que pode dificultar ainda mais a nova tentativa de viagem.
O caso teve início em 8 de abril, quando os pais da criança tentaram viajar com o cão, mas foram impedidos pela TAP. Desde então, a família tem travado uma batalha judicial para garantir que Tedy possa acompanhar a menina em Lisboa.
No dia 16 de maio, o juiz Alberto Republicano de Macedo Júnior concedeu um mandado autorizando expressamente o embarque do cão com Hayanne, na cabine da aeronave. Ainda assim, a empresa ignorou a decisão judicial e manteve a posição de não autorizar o embarque do animal da forma estabelecida.
Segundo a advogada Fernanda Lontra, que representa a família, a companhia obteve uma liminar para que o voo ocorresse sem o cão, enquanto a liminar da família segue válida. “Eles só precisam cumprir a decisão”, afirmou. A criança em Portugal estaria emocionalmente abalada com a ausência do animal.
Tedy já viajou anteriormente para o exterior e passou por treinamento específico para esse tipo de acompanhamento. Hayanne relatou que tanto o animal quanto sua irmã demonstram sinais de estresse desde a separação. A família segue tentando resolver o caso por vias legais.