Cidade era último reduto sem incursão terrestre israelense; milhares de civis fogem
O Exército de Israel iniciou nesta segunda-feira (21) uma operação terrestre e aérea em Deir al-Balah, região central da Faixa de Gaza, onde tanques israelenses avançaram pela primeira vez desde o início do conflito com o Hamas. O local era um dos últimos da região a não ter sofrido incursão terrestre em larga escala.
Segundo Israel, a ofensiva tem como objetivo combater a infraestrutura do Hamas e destruir as capacidades militares do grupo. O porta-voz do Exército israelense, Avichay Adraee, afirmou que as Forças de Defesa atuam com “grande vigor” em uma área onde “nunca antes operaram”.
Deir al-Balah tornou-se um refúgio para dezenas de milhares de palestinos deslocados por causa do conflito, além de seus moradores originais. Israel havia evitado atuar na cidade por suspeitar que reféns capturados pelo Hamas estivessem sendo mantidos ali, o que colocaria suas vidas em risco.
A operação ocorreu um dia após o Exército emitir ordens de evacuação em regiões do sul e leste da cidade. Segundo médicos locais, três palestinos foram mortos e vários outros ficaram feridos após disparos de tanques atingirem oito casas e três mesquitas em Deir al-Balah.
O avanço forçou a fuga de inúmeras famílias, que buscaram abrigo na região costeira ou em Khan Younis, cidade vizinha. Com a nova ordem de evacuação, estima-se que quase 90% do território da Faixa de Gaza esteja sob ordens de saída ou transformado em zona militarizada.
De acordo com o Escritório da ONU para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), entre 50 mil e 80 mil pessoas serão impactadas diretamente pelo novo avanço israelense. A organização alerta que a operação deixa 2,1 milhões de palestinos espremidos em apenas 12% do território de Gaza, onde os serviços essenciais já colapsaram.
Fontes israelenses disseram à Reuters que a hesitação anterior em avançar sobre Deir al-Balah estava ligada à suspeita de que reféns do Hamas estariam presos na cidade. O grupo terrorista chegou a ameaçar executar os reféns caso Israel se aproximasse de locais de cativeiro ou tentasse resgatá-los.
Em meio à escalada militar, familiares dos reféns exigem explicações do governo sobre como seus parentes serão protegidos. Ainda na manhã de segunda-feira, um ataque aéreo em Khan Younis matou cinco pessoas de uma mesma família. Israel não comentou oficialmente os bombardeios em Deir al-Balah e Khan Younis até o momento.