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Takaichi planeja dissolver Parlamento e convocar eleição antecipada no Japão em fevereiro

Premiê diz que votação permitiria avaliar nova coalizão e planos de gastos do governo.

14 de Janeiro de 2026
Foto: Toru Hanai / Bloomberg

A primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, planeja dissolver o Parlamento na próxima semana e convocar uma eleição legislativa antecipada, afirmou o secretário-geral do Partido Liberal Democrático (PLD), Shunichi Suzuki, nesta quarta-feira (14). Segundo ele, o objetivo é buscar apoio popular para os planos de gastos do governo, que já provocaram instabilidade nos mercados financeiros. Parlamentares do PLD disseram que Takaichi considera realizar a eleição em 8 de fevereiro.

“Precisamos buscar um novo mandato”, declarou Suzuki a repórteres após se reunir com a primeira-ministra. Ele acrescentou que Takaichi apresentará os planos na próxima segunda-feira (19). A primeira mulher a ocupar o cargo de primeira-ministra do Japão tenta capitalizar uma alta no apoio popular desde que assumiu, em outubro, apesar de ter desencadeado uma disputa diplomática com a China, principal potência vizinha do país.

Suzuki afirmou que a votação permitiria aos eleitores avaliarem a nova coalizão do PLD com o Partido de Inovação do Japão, de direita, conhecido como Ishin. A aliança foi formada no ano passado, após Takaichi romper com o Komeito, tradicional parceiro do PLD e considerado mais progressista. “Uma razão para dissolver o Parlamento é que a eleição anterior foi sob o governo do PLD-Komeito. O público ainda não deu um veredicto sobre a mudança em nosso parceiro de coalizão”, disse Suzuki.

Além do cenário político, a eleição deve testar o apetite do eleitorado em relação à proposta de Takaichi de aumentar os gastos do governo para reavivar o crescimento econômico e ampliar os investimentos em defesa, conforme previsto em uma estratégia de segurança nacional revisada, segundo Suzuki. Na semana passada, relatos de que a primeira-ministra avaliava antecipar o pleito provocaram uma venda do iene e de títulos do governo japonês, diante da preocupação dos investidores sobre como uma das economias avançadas mais endividadas do mundo financiaria a expansão fiscal.

A convocação também ocorre em meio a uma disputa de mais de uma década entre Japão e China, as duas maiores economias da Ásia. No ano passado, Takaichi afirmou que um ataque chinês a Taiwan poderia representar uma ameaça existencial ao Japão, declaração que levou Pequim a exigir uma retratação. A primeira-ministra não se desculpou, e a China respondeu com contramedidas, como orientar seus cidadãos a não viajarem ao Japão e impor uma restrição às exportações chinesas ao país de bens de uso civil e militar.

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