Quarta-Feira, (23 de Setembro de 2026)
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Super El Niño pode causar 451 mil mortes extras até fevereiro, diz estudo

Relatório citado pelo jornal britânico The Guardian aponta Brasil entre os países mais afetados pelo calor extremo provocado pelo fenômeno.

Por: Portal Amz em Pauta
23 de Setembro de 2026
Foto: Reprodução

Um novo relatório citado pelo jornal britânico The Guardian projeta que o atual Super El Niño poderá provocar cerca de 451 mil mortes adicionais relacionadas ao calor entre setembro de 2026 e fevereiro de 2027. A estimativa considera os óbitos extras associados ao aumento das temperaturas provocado pelo fenômeno e se soma às mortes prematuras já relacionadas ao aquecimento global. Os pesquisadores também alertam para efeitos indiretos, como secas, incêndios e enchentes.

Segundo o levantamento, os maiores impactos devem atingir principalmente países localizados em regiões tropicais. Nigéria, Indonésia, Sudão, Índia e Brasil aparecem entre as nações com maior número projetado de mortes adicionais durante o período analisado. Os Estados Unidos também figuram entre os 20 países mais afetados, com estimativa de aproximadamente 3,5 mil mortes extras provocadas pelo calor.

As projeções foram elaboradas a partir de métodos revisados por pares que relacionam, mês a mês, o aumento das temperaturas com mortes adicionais por calor em 24.378 regiões do mundo. Os pesquisadores cruzaram esses dados históricos com as previsões de aquecimento associadas ao El Niño para os próximos meses. A base de comparação utilizada foi a média mensal de mortes por calor registrada entre 1996 e 2025.

O atual El Niño já superou o recorde de temperatura anteriormente observado para o fenômeno antes mesmo de atingir o pico previsto. Cientistas ouvidos pelo The Guardian afirmam que o evento está muito acima do padrão histórico e alertam que seus efeitos podem ser agravados pelo aquecimento do planeta causado pelas atividades humanas.

Para Michael Greenstone, professor da Universidade de Chicago e cofundador do Climate Impact Lab, a projeção de 451 mil mortes precisa ser entendida para além do número. Segundo ele, a estimativa representa perdas concretas em famílias e comunidades. O pesquisador também defende que a divulgação antecipada dos dados pode ajudar governos a se prepararem para reduzir o número de vítimas.

Entre as medidas recomendadas pelo relatório estão sistemas mais precisos de previsão de calor, criação de centros de resfriamento para a população, reforço das equipes de saúde durante períodos de temperaturas extremas e proteção especial para trabalhadores que permanecem expostos ao sol. A pesquisadora Tamma Carleton, da Universidade da Califórnia em Berkeley, alerta que essas ações podem salvar vidas no curto prazo, mas não resolvem o problema estrutural provocado pelo avanço das mudanças climáticas.

Especialistas também avaliam que o episódio atual funciona como uma amostra do tipo de clima extremo que poderá se tornar mais comum nas próximas décadas. A professora Friederike Otto, do Imperial College London, afirma que o El Niño ocorre atualmente sobre um sistema climático já aquecido pela influência humana, aumentando o risco de ondas de calor inéditas, insegurança alimentar, falta de água e pressão sobre os serviços de saúde. Para os pesquisadores, reduzir as emissões de gases de efeito estufa continuará sendo essencial para evitar que situações consideradas excepcionais hoje se tornem parte da rotina no futuro.

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