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STJD adia julgamento de Bruno Henrique após pedido de vista de auditor

Atacante do Flamengo segue liberado para jogar até nova sessão marcada para quinta-feira

10 de Novembro de 2025
Foto: Reprodução

O julgamento do atacante Bruno Henrique, do Flamengo, no Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), foi adiado para a próxima quinta-feira, às 15h, após o auditor Marco Aurélio Choy pedir vista do processo. A decisão interrompeu a sessão realizada nesta segunda-feira, que tinha o jogador presente no tribunal. A nova data foi confirmada pela presidência do STJD e o caso será retomado como pauta única.

No momento da interrupção, Bruno Henrique havia recebido um voto favorável. O relator, Sergio Furtado Filho, votou pela absolvição do atleta no artigo 243-A, que prevê até 12 jogos de suspensão, e pela aplicação de multa de R$ 100 mil com base no artigo 191, sem punição em partidas. O advogado do Flamengo, Michel Assef, destacou que o jogador permanece liberado para atuar, graças ao efeito suspensivo concedido desde setembro.

O atacante foi denunciado sob a acusação de ter forçado um cartão amarelo durante uma partida contra o Santos, em 2023, no Estádio Mané Garrincha, em Brasília, supostamente para beneficiar apostadores. O caso ganhou repercussão após investigação da Polícia Federal e levou o STJD a condená-lo, em primeira instância, a 12 jogos de suspensão. Desde então, o Flamengo tenta reverter a decisão, enquanto a Procuradoria pediu aumento da pena.

Durante o julgamento, a defesa alegou que Bruno Henrique não teve intenção de manipular o resultado e que o cartão amarelo foi parte de uma estratégia técnica. Michel Assef argumentou que o atleta agiu sob orientação para ficar suspenso contra o Fortaleza e poder jogar diante do Palmeiras. “Forçar cartão amarelo não é antiético nem antidesportivo. A finalidade não era alterar o resultado da partida, mas um planejamento esportivo comum”, afirmou.

O advogado Alexandre Vitorino, que também representa o jogador, reforçou que não há provas de envolvimento com apostas. Ele mencionou conversas entre Bruno Henrique e seu irmão Wander Nunes, apontado como um dos responsáveis por fazer as apostas, para sustentar que o atacante não teve participação ativa no esquema. “As mensagens mostram que Bruno não concordava com a atitude do irmão. Se alguém apostou, o fez de forma independente”, disse.

O relator Sergio Furtado Filho defendeu a absolvição do jogador, afirmando que o material apresentado não comprova a intenção de manipular o resultado. “O acervo não demonstra que Bruno Henrique tenha atuado de maneira deliberada. Há movimentações suspeitas, mas sem vínculo direto com o atleta”, declarou o magistrado. A decisão final, no entanto, só será conhecida após o voto do auditor que pediu vista.

Na esfera criminal, Bruno Henrique também responde a um processo por fraude esportiva, instaurado pelo Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT). Ele foi indiciado com base no artigo 200 da Lei Geral do Esporte, que prevê pena de até seis anos de prisão. Além do jogador, o caso envolve familiares e amigos, incluindo seu irmão, a esposa deste e uma prima, acusados de realizar apostas com base em informações privilegiadas.

A defesa do atleta argumenta que a denúncia do STJD deveria ter sido arquivada por prescrição, alegando que o prazo legal de 60 dias para apresentação do caso teria expirado. O tribunal, contudo, rejeitou o pedido por unanimidade, entendendo que o prazo começou a contar apenas após a conclusão do inquérito policial.

Com o adiamento, Bruno Henrique continua disponível para defender o Flamengo nas próximas partidas. O Rubro-Negro volta a campo no sábado, contra o Sport, em jogo adiado do Campeonato Brasileiro, enquanto aguarda o desfecho do processo disciplinar.

O novo julgamento promete ser decisivo para o futuro do atleta, que pode ser absolvido, ter a pena reduzida, mantida ou até ampliada. A expectativa é grande tanto no clube quanto entre os torcedores, que acompanham com atenção cada desdobramento do caso.

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