Política

STF torna Bolsonaro e outros 7 réus por tentativa de golpe de Estado

Turma do Supremo Tribunal Federal considera que acusados compõem o "núcleo crucial" do golpe de 2023

26 de Marco de 2025
Foto: Antonio Augusto / STF

Nesta quarta-feira (26), por decisão unânime, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) determinou que o ex-presidente Jair Bolsonaro, junto a outros sete aliados, se tornassem réus por envolvimento em um golpe de Estado e tentativa de derrubada do Estado Democrático de Direito.  

O julgamento marca a primeira vez que um ex-presidente eleito é responsabilizado judicialmente por crimes contra a ordem democrática, conforme os artigos 359-L (golpe de Estado) e 359-M (abolição do Estado Democrático de Direito) do Código Penal brasileiro. 

Em sua fala, o ministro Alexandre de Moraes, relator do caso, destacou a "suficiência" das provas apresentadas pela Procuradoria-Geral da República. “Não há então dúvidas de que a procuradoria apontou elementos mais do que suficientes, razoáveis, de materialidade e autoria para o recebimento da denúncia contra Jair Messias Bolsonaro", afirmou. 

Além do golpe e da tentativa de derrubar o Estado Democrático de Direito, o ex-presidente também foi acusado de organização criminosa armada, danos qualificados e deterioração de patrimônio tombado, com penas que, se somadas, podem ultrapassar 30 anos de prisão. 

Todos os ministros da Primeira Turma do STF, incluindo Flávio Dino, Luiz Fux, Cármen Lúcia e Cristiano Zanin, acompanharam o relator na decisão. O colegiado também resolveu, por unanimidade, tornar réus outros sete indivíduos próximos a Bolsonaro, que também enfrentam acusações pelos mesmos crimes. 

Estes oito réus, conhecidos como o "núcleo crucial" do golpe, fazem parte de um grupo de 34 denunciados. Os acusados são: 

Jair Bolsonaro, ex-presidente da República 

Walter Braga Netto, ex-ministro e ex-vice-presidente de Bolsonaro 

General Augusto Heleno, ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional 

Alexandre Ramagem, ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) 

Anderson Torres, ex-ministro da Justiça e ex-secretário de Segurança do Distrito Federal 

Almir Garnier, ex-comandante da Marinha 

Paulo Sérgio Nogueira, ex-ministro da Defesa 

Mauro Cid, ex-ajudante de ordens e delator 

Com a decisão, o STF abre caminho para o aprofundamento da investigação e a responsabilização dos envolvidos, em um momento crucial para a história política brasileira. 

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