Ciência e Tecnologia

Startup cria máquina para descontaminação da castanha-do-Brasil com apoio do Governo do Amazonas

A principal meta da iniciativa é realizar a análise e inspeção de qualidade, além da descontaminação e banho biológico da castanha.

21 de Fevereiro de 2025
Foto: Arquivo/Fapeam

Uma startup, com o apoio do Governo do Amazonas, por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Amazonas (Fapeam), desenvolveu uma máquina inovadora para descontaminar a castanha-do-Brasil utilizando luz Ultravioleta (UV). O projeto, denominado "PLUS - Gestão da Produção e Qualidade da Castanha-do-Brasil", visa melhorar a qualidade e segurança do fruto para exportação, ajudando a fortalecer o extrativismo amazônico. 

Objetivo do projeto 

A principal meta da iniciativa é realizar a análise e inspeção de qualidade, além da descontaminação e banho biológico da castanha. A proposta é melhorar a qualidade do produto, retirando toxinas e fungos como Aspergillus Flavus e Aspergillus Parasiticus, que comprometem a qualidade do fruto, dificultando sua venda para países da Europa e América do Norte, mercados onde a Bolívia atualmente domina. 

Desafios enfrentados 

Segundo o coordenador do projeto, Rufo Paganini, CEO da startup de Inteligência Artificial, o maior desafio é a dificuldade de garantir padrões de qualidade consistentes na extração da castanha nas comunidades da Amazônia. Ele destacou que as empresas bolivianas adquirem a castanha do Brasil, processam e exportam com uma margem de lucro mais alta, enquanto o Brasil não consegue atender às exigências internacionais devido à contaminação do produto. 

Tecnologia de descontaminação 

A máquina em desenvolvimento realiza um tratamento biológico, utilizando luz UV, que atua na purificação do produto e na proteção contra futuras contaminações. O "banho biológico" que a máquina aplica elimina as toxinas e prepara a castanha para os rigorosos requisitos de mercados internacionais. 

Parcerias e financiamento 

O projeto conta com o financiamento da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), investimento próprio, além de apoio da Fapeam e Sebrae. Também há uma parceria com o Centro de Bionegócios da Amazônia (CBA), responsável pela validação da qualidade da castanha, gerando dados e certificações para que as usinas do Amazonas possam atender às exigências internacionais. 

Impacto para as comunidades 

Ao melhorar a qualidade da castanha, o projeto promete não apenas aumentar a competitividade do Amazonas no mercado internacional, mas também gerar benefícios econômicos e sociais para as comunidades tradicionais. A longo prazo, a startup pretende expandir a descontaminação para outros frutos do extrativismo amazônico, ampliando o impacto positivo nas comunidades locais. 

Fomento à bioeconomia 

O Inova Amazônia-Módulo Tração, que apoia o projeto, busca fomentar ideias inovadoras alinhadas à bioeconomia, com foco na preservação e no uso sustentável dos recursos da biodiversidade da Amazônia. 

Com essa iniciativa, a startup não só contribui para a melhoria da qualidade dos produtos da Amazônia, mas também fortalece a sustentabilidade econômica da região, promovendo um modelo de desenvolvimento que respeita a natureza e gera renda para as comunidades. 

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