Tremor atingiu a província de Kumamoto e deixou milhares de famílias sem serviços básicos.
Milhares de moradores do sul do Japão enfrentam falta de água, energia elétrica e temperaturas próximas de 35 °C após o forte terremoto que atingiu a província de Kumamoto na terça-feira (28). Dois dias depois do tremor, equipes de emergência continuam realizando buscas, distribuindo mantimentos e tentando restabelecer os serviços essenciais.
Na cidade portuária de Yatsushiro, uma das áreas mais afetadas, casas foram destruídas e grandes rachaduras surgiram em ruas e avenidas. Cerca de 58 mil domicílios permaneciam sem abastecimento de água ou fornecimento de energia, aumentando a preocupação com casos de desidratação e insolação durante o intenso verão japonês.
A situação também comprometeu o funcionamento de prédios públicos. Com os banheiros da prefeitura de Yatsushiro fora de operação, autoridades instalaram estruturas emergenciais sobre bueiros da rede de esgoto. O governo local informou que ainda não há previsão para a recuperação completa das tubulações danificadas.
A concessionária Kyushu Electric Power trabalha para normalizar o fornecimento de energia elétrica nas regiões atingidas. Abrigos receberam equipamentos de refrigeração, enquanto caminhões das Forças de Autodefesa foram enviados para distribuir água potável e outros materiais de primeira necessidade.
Grande parte das mortes ocorreu em dois pontos gravemente atingidos pelo desastre. Na fábrica da Nippon Paper Industries, estruturas desabaram após o tremor. Em um shopping center da rede Aeon, uma possível explosão provocada por vazamento de gás causou danos e deixou vítimas entre funcionários que estavam no local. As causas do incidente ainda são investigadas.
Entre as vítimas está um trabalhador vietnamita recém-casado, que deixou a esposa e um filho de sete meses. Em entrevista à imprensa do Vietnã, a mulher contou que realizou uma videochamada com o marido na noite anterior ao terremoto, sem imaginar que seria a última conversa entre os dois.
O terremoto também prejudicou estradas, pontes, linhas ferroviárias e atividades industriais na ilha de Kyushu. Empresas dos setores automobilístico, eletrônico e de semicondutores suspenderam temporariamente parte da produção, enquanto as autoridades mantêm o alerta para novos tremores secundários.
Além das buscas por desaparecidos, o principal desafio das equipes de socorro é evitar uma nova emergência provocada pelo calor. Com milhares de pessoas em abrigos ou fora de suas casas, o governo japonês concentra esforços no fornecimento de água, alimentos e locais refrigerados para as famílias afetadas.