Modelo da UEA utiliza redes neurais para antecipar secas e enchentes na região.
O Laboratório de Modelagem do Sistema Climático da Amazônia (LabClim), da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), desenvolveu um sistema de previsão hidrológica baseado em inteligência artificial. O modelo estima variações das cotas dos rios com até 30 dias de antecedência, auxiliando no monitoramento de secas e enchentes.
A tecnologia utiliza redes neurais artificiais, inspiradas no funcionamento do cérebro humano, para aprender padrões complexos de comportamento dos rios. O sistema cruza séries históricas de medições, dados pluviométricos e previsões meteorológicas, aprimorando continuamente sua precisão.
Os primeiros testes foram realizados no Rio Negro, em Manaus, com erro médio inferior a 2%. A previsão para a vazante de 2025, por exemplo, foi calculada pelo modelo em 17,98 metros, valor próximo ao observado em campo. A UEA pretende expandir a aplicação para outras bacias importantes, como os rios Solimões, Madeira e Amazonas.
Segundo o LabClim, o objetivo é oferecer informações com antecedência suficiente para reduzir os impactos das variações extremas do nível dos rios. As previsões permitem planejar ações de Defesa Civil, transporte, abastecimento e apoio às comunidades ribeirinhas, que sofrem diretamente com secas e inundações.
Apesar do avanço, pesquisadores alertam que fenômenos súbitos exigem previsões complementares de curtíssimo prazo. O sistema segue em fase de aprimoramento e deve ganhar integração com plataformas de alerta hidrometeorológico e novos bancos de dados.
O uso de inteligência artificial no monitoramento dos rios amazônicos representa um marco na modernização da gestão hídrica da região. A tecnologia, desenvolvida localmente, coloca o Amazonas na vanguarda da previsão ambiental baseada em dados e inovação científica.