Meio Ambiente

Seis peixes-boi-da-Amazônia são reintroduzidos à natureza no Pará

Ação histórica de conservação integra programa coordenado pelo Ibama e parceiros locais.

06 de Agosto de 2025
Foto: Ascom / Ibama

Seis peixes-boi-da-Amazônia (Trichechus inunguis) foram reintroduzidos à natureza em julho, no município de Santarém (PA), em uma das maiores ações já registradas de soltura da espécie no Brasil. A iniciativa foi liderada pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) em parceria com o ZooUnama, com apoio da comunidade local de Igarapé do Costa, da prefeitura de Santarém, da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas/PA), do ICMBio e de outras instituições.

Os animais, resgatados ainda filhotes, passaram por um longo processo de reabilitação até serem considerados aptos para voltar ao habitat natural com segurança. A soltura simultânea faz parte do Programa de Conservação de Peixes-Boi no Estado do Pará, que prevê a recuperação e o monitoramento de mais de 60 peixes-bois – entre os tipos dulcícolas, marinhos e híbridos, que atualmente vivem em cativeiro no estado.

“Essa é uma gestão inovadora dentro do Ibama no Pará, que busca ampliar a proteção da fauna silvestre ameaçada e engajar diferentes atores em uma rede de cooperação pela Amazônia”, afirmou Luiz Paulo Albarelli, chefe da Divisão Técnica do Ibama no Pará.

A ação também teve como foco o envolvimento das comunidades por meio de educação ambiental e capacitações, além de homenagear as localidades e pessoas que participaram dos resgates. Os seis animais soltos foram batizados com nomes que remetem aos locais onde foram encontrados: Araraú, Itarim, Pacoval, Piracoera, Ruck e Tapiri.

Projeto de reabilitação

A soltura dos peixes-boi antecedeu o lançamento oficial do Projeto de Reabilitação e Soltura de Peixes-Boi no Estado do Pará, apresentado em 18 de julho no Museu Paraense Emílio Goeldi. A iniciativa surge como condicionante ambiental vinculada a um licenciamento do Ibama para a empresa TGS, responsável por pesquisa sísmica marítima na Margem Equatorial.

Com coordenação do Ibama e apoio de instituições como o Instituto Bicho D’Água e a Universidade Federal do Pará, o projeto visa ampliar a estrutura de reabilitação, soltura e monitoramento da espécie. Entre as ações previstas estão:

• Criação de uma Base de Estabilização de Fauna Aquática em Soure (Ilha do Marajó);

• Implantação de centro de reabilitação em Castanhal (UFPA);

• Construção de um recinto natural de aclimatação pré-soltura para até 8 animais;

• Monitoramento pós-soltura por satélite e rádio;

• Estudo sobre hibridização e comportamento dos animais;

• Campanhas de educação ambiental e capacitação de comunidades.

“Além de garantir que grandes empreendimentos sejam realizados com responsabilidade, o licenciamento ambiental possibilita investimentos em projetos de conservação como esse”, destacou Claudia Barros, diretora de Licenciamento Ambiental do Ibama.

O peixe-boi-da-Amazônia

O Trichechus inunguis é um mamífero aquático herbívoro endêmico da bacia amazônica, essencial para o equilíbrio ecológico. Alimenta-se de plantas aquáticas, contribuindo para a manutenção da navegabilidade dos rios e a regeneração das matas ciliares.

Entre suas principais características estão:

• Tamanho: até 3 metros de comprimento e 450 kg;

• Alimentação: até 40 kg de plantas aquáticas por dia;

• Reprodução: gestação de 12 meses e amamentação por dois anos;

• Longevidade: cerca de 60 anos.

Apesar da proteção legal, o peixe-boi continua vulnerável à extinção, ameaçado por caça ilegal, degradação do habitat, redes de pesca e mudanças climáticas.

Além do peixe-boi amazônico, o programa abrange também o peixe-boi marinho (Trichechus manatus) e híbridos naturais entre as duas espécies. A expectativa dos envolvidos é que as ações conjuntas fortaleçam a recuperação populacional e o papel ecológico desses animais na região amazônica.

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