Belém lidera ranking negativo com mais da metade das vias sem árvores, aponta IBGE
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelou um cenário paradoxal: apesar de abrigarem a maior floresta tropical do mundo, seis dos nove estados da Amazônia Legal estão abaixo da média nacional de domicílios em ruas arborizadas. Entre eles está o Pará, sede da COP30, que será realizada em novembro.
No Brasil, 33,7% da população, o equivalente a 58,7 milhões de pessoas, vivem em ruas sem qualquer arborização. No Pará, o índice é ainda maior: 54,5% dos domicílios urbanos de Belém, cerca de 229 mil, ficam em vias sem árvores. Outros 20,3% têm apenas uma ou duas árvores, 9,1% possuem até quatro e 15,8% contam com cinco ou mais exemplares.
Além do Pará, Acre, Amazonas, Roraima, Maranhão e Amapá também figuram entre os estados menos arborizados do país. Os dados do Censo 2022 consideraram apenas a arborização urbana, analisando as características do entorno de domicílios em áreas urbanas.
O contraste é evidente quando comparado a Mato Grosso do Sul, líder nacional no índice: 92,4% da população vive em ruas com árvores, sendo que quase 60% dos lares estão em vias com pelo menos cinco exemplares.
De acordo com o técnico do IBGE Maikon Novaes, quatro fatores explicam as diferenças: o recorte restrito à arborização urbana; o crescimento mais planejado de cidades do Centro-Oeste; o impacto econômico do agronegócio, que investiu na infraestrutura verde; e o descompasso entre o desmatamento e os investimentos em arborização na região Norte.
Para a arquiteta e urbanista Maria Ester de Souza, a baixa arborização reflete um padrão cultural herdado da colonização, em que cidades eram construídas priorizando cimento e asfalto. Segundo ela, a árvore como elemento urbano é uma adição recente ao planejamento das cidades.
O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima está desenvolvendo o Plano Nacional de Arborização Urbana (PlaNAU), com previsão de lançamento na COP30. A proposta é incentivar planos municipais de arborização, integrando ações de mitigação climática e promoção da qualidade de vida, como redução de ilhas de calor, melhora da qualidade do ar e incentivo ao convívio social.