Sexta-Feira, (18 de Setembro de 2026)
Economia

Seca pode elevar em até 150% custo de contêineres para Manaus

Estudo aponta perda de capacidade dos navios, alta de custos e risco de novos gargalos logísticos com avanço da estiagem.

Por: Portal Amz em Pauta
18 de Setembro de 2026
Foto: Divulgação

A seca provocada pelos impactos do El Niño na região Norte pode aumentar em até 150% o custo do transporte de contêineres para Manaus. A estimativa faz parte de um estudo da A&M Infra, da Alvarez & Marsal, elaborado para a Associação Brasileira dos Armadores de Cabotagem (Abac), que avalia os efeitos da redução do nível dos rios sobre a navegação e a logística na Amazônia.

Segundo o levantamento, em um cenário de restrição de dois metros no calado, a capacidade dos navios pode cair 35%, enquanto o custo unitário do transporte aumenta 63%. Em uma situação mais severa, com redução de 3,2 metros no calado disponível, a capacidade de transporte pode recuar 55%.

"O efeito ocorre porque, mesmo transportando menos carga devido às limitações de calado, grande parte dos custos da viagem permanece. Além disso, a estiagem provoca atrasos, omissões de escalas, armazenagem adicional e pode exigir soluções logísticas alternativas", afirma o estudo.

As projeções consideram experiências recentes. Em outubro de 2023, a baixa profundidade dos rios chegou a impedir a passagem de navios por semanas, e a movimentação de contêineres em Manaus caiu 85% em relação a agosto daquele ano. Em 2024, mesmo com o uso de píeres flutuantes em Itacoatiara, a movimentação recuou 55% em outubro e 41% em novembro, na comparação com julho.

A consultoria alerta que Manaus possui poucas alternativas logísticas e depende fortemente das hidrovias. O estudo também aponta a possibilidade de uma estiagem ainda mais severa em 2027 em razão dos efeitos do El Niño, o que pode aumentar a pressão sobre o transporte de cargas para a capital amazonense.

Entre os mecanismos analisados está a chamada sobretaxa de seca, usada para compensar custos extraordinários em períodos de baixa navegabilidade e manter a continuidade das operações. Modelos semelhantes já são adotados em rotas afetadas por restrições hídricas no Rio Reno, no Canadá e no Canal do Panamá.

Para o diretor-executivo da Abac, Luis Resano, medidas emergenciais não são suficientes para enfrentar o problema. "Mesmo com a adoção de medidas paliativas para manter as operações, há aumento relevante dos custos e impactos sobre a eficiência logística", afirmou.

Resano também defende soluções estruturais para dar mais previsibilidade às operações. "Ele é fundamental para manter a operação sustentável ... A concessão das hidrovias pode ser um caminho importante para garantir maior previsibilidade e eficiência na execução das dragagens, evitando atrasos ou intervenções realizadas fora do momento adequado."

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