Em resposta a essa crise, nesta terça-feira (29) o Coletivo do Pirarucu enviou uma carta aberta aos órgãos federais solicitando ações emergenciais para mitigar os prejuízos da estimativa
O Amazonas enfrenta uma seca histórica pelo segundo ano consecutivo, com os rios atingindo níveis mínimos e impactando diretamente a vida na região. O efeito dominou a baixa dos rios afetando o transporte, o abastecimento e até as mesmas atividades econômicas essenciais, como o manejo sustentável do pirarucu. Em resposta a essa crise, nesta terça-feira (29) o Coletivo do Pirarucu enviou uma carta aberta aos órgãos federais solicitando ações emergenciais para mitigar os prejuízos da estimativa.
De acordo com o monitoramento do Governo do Amazonas, os 62 municípios do estado declararam situação de emergência, afetando mais de 186 mil famílias. Dados do Ibama indicam que, em 2023, a seca extrema impediu os gestores de pescar cerca de 30% da cota autorizada, resultando em uma perda de aproximadamente 10 milhões de reais. Esse impacto econômico agrava ainda mais a situação de comunidades tradicionais que dependem dos rios para sua subsistência.
Além dos danos econômicos, a seca ameaça a herança cultural das populações indígenas e ribeirinhas, para quem os rios amazônicos são fundamentais.
“Os rios não são apenas fontes de água; eles moldam identidades, tradições e modos de vida”, destaca a carta. Esse apelo reforça a importância de medidas urgentes para garantir o bem-estar das comunidades e preservar o seu património cultural.
Entre as principais reivindicações do documento estão a prorrogação do prazo de pesca, inclusão do manejo do pirarucu no seguro rural e criação de um plano de emergência climática. A carta, enviada aos ministérios e ao Ibama, representa um chamado para a implementação de políticas de adaptação e mitigação, que visa proteger os direitos, o conhecimento tradicional e a biodiversidade da Amazônia diante das mudanças climáticas.