Saúde

Saúde monitora cenário sanitário na fronteira com Venezuela após crise internacional

Equipes do SUS foram enviadas a Roraima para avaliar impacto migratório.

06 de Janeiro de 2026
Foto: Caíque Rodrigues / g1 RR

O Ministério da Saúde enviou uma equipe da Força Nacional do Sistema Único de Saúde (SUS) para o estado de Roraima, que faz fronteira com a Venezuela. A missão é avaliar a estrutura da rede de saúde, a disponibilidade de profissionais, vacinas e outros insumos diante do cenário internacional recente.

Em nota, o ministério informou que está estruturando um plano de contingência para resposta do SUS a um “possível agravamento da crise internacional e avanço da demanda de migrantes na região fronteiriça”, após o ataque conduzido pelo governo dos Estados Unidos à Venezuela. Segundo o comunicado, “até o momento, o fluxo migratório segue o mesmo na região”.

Ainda de acordo com a pasta, as equipes enviadas possuem ampla experiência em situações de tragédia e já estão mapeando unidades hospitalares, além de avaliar a necessidade de ampliação da capacidade de atendimento no estado.

Caso haja necessidade, o governo federal informou que poderá instalar hospitais de campanha e expandir estruturas existentes, com o objetivo de reduzir impactos sobre o sistema público de saúde brasileiro.

O Ministério da Saúde também declarou estar à disposição da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) para ações de ajuda humanitária. Entre os apoios citados estão o fornecimento de medicamentos e insumos para diálise, após a destruição do principal centro de distribuição da cidade de La Guaira, na Venezuela, atingido durante os ataques.

“O Ministério da Saúde reafirma o papel do SUS como referência internacional ao garantir assistência médica integral a todas as pessoas em solo nacional. Para imigrantes em cidades de fronteira, esse direito é assegurado, independentemente do status migratório ou nacionalidade”, concluiu a nota.

O monitoramento ocorre após o ataque militar registrado no sábado (3), quando explosões atingiram bairros da capital venezuelana, Caracas. Na ocasião, o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e sua esposa, Cilia Flores, foram capturados por forças de elite dos Estados Unidos e levados para Nova York.

O episódio marca mais um capítulo de intervenções diretas norte-americanas na América Latina. A última invasão registrada ocorreu em 1989, no Panamá, quando os Estados Unidos capturaram o então presidente Manuel Noriega, acusado de narcotráfico.

Assim como no caso panamenho, o governo norte-americano acusa Maduro de liderar um suposto cartel venezuelano denominado De Los Soles, sem apresentar provas públicas. Especialistas em tráfico internacional de drogas questionam a existência do grupo.

O governo do presidente Donald Trump oferecia uma recompensa de US$ 50 milhões por informações que levassem à prisão de Maduro. Para críticos, a ofensiva tem motivação geopolítica, visando afastar a Venezuela de aliados como China e Rússia e ampliar o controle sobre o petróleo venezuelano, que concentra as maiores reservas comprovadas do mundo.

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