Clube argentino tem até domingo para pagar dívida milionária e evitar colapso financeiro no mesmo ano da morte do Papa Francisco, seu torcedor mais ilustre
Papa Francisco se tornou uma espécie de amuleto para a torcida do San Lorenzo
O San Lorenzo, tradicional clube argentino e campeão da Libertadores de 2014, vive uma das maiores crises de sua história. Afundado em dívidas e à beira da falência, o time tem até o próximo domingo (19) para quitar um débito de 4,7 milhões de dólares, o equivalente a R$ 25,5 milhões na cotação atual, e evitar a decretação de falência pela Justiça argentina.
A grave situação financeira ocorre no mesmo ano da morte do Papa Francisco, torcedor mais famoso do clube, falecido em abril aos 88 anos. A coincidência trágica marcou um período de instabilidade administrativa e política no San Lorenzo, que também enfrentou a expulsão de seu presidente, Marcelo Moretti, após uma série de escândalos e denúncias.
A dívida que ameaça o clube teve origem em 2020, quando o San Lorenzo vendeu o atacante Adolfo Gaich ao CSKA Moscou, da Rússia. Na época, enfrentando sérias dificuldades financeiras, o então presidente Marcelo Tinelli antecipou parte do valor da transferência por meio de dois empréstimos com o fundo suíço AIS Investment Fund, totalizando 4 milhões de dólares.
O primeiro empréstimo, de 1,5 milhão de dólares, foi firmado em julho de 2020, com vencimento no ano seguinte. Quatro meses depois, o clube contraiu um segundo empréstimo de 2,5 milhões de dólares, que seria pago em quatro parcelas semestrais até o fim de 2022. Nenhum dos compromissos, porém, foi quitado.
Mesmo após o CSKA Moscou ter efetuado o pagamento da transferência de Gaich, o valor não foi repassado ao fundo que havia concedido o empréstimo. Desde então, o caso se arrasta nos tribunais. Em 2021, o San Lorenzo reconheceu oficialmente a dívida e chegou a propor acordos de pagamento, mas nenhuma das tentativas foi adiante.
Com os juros e correções, o valor da dívida subiu para 4,7 milhões de dólares. A Justiça argentina determinou que o clube quite a quantia até o dia 19 de outubro, sem possibilidade de recurso. Caso o prazo não seja cumprido, o San Lorenzo poderá ter os bens bloqueados e ser declarado insolvente.
A crise financeira se agrava em meio a um colapso institucional. O presidente Marcelo Moretti foi afastado e, posteriormente, expulso do clube após o vazamento de imagens que o mostravam recebendo dinheiro sem registro contábil oficial. Ele também é acusado de falsificação de documentos e má gestão financeira.
Presidente do San Lorenzo, Marcelo Moretti (Foto: Endelli / Getty Imagens)
Após ser destituído, treze dirigentes renunciaram em solidariedade à decisão, deixando o clube sem comando. Quando a Justiça autorizou o retorno de Moretti ao cargo, ele tentou reassumir, mas foi recebido com protestos violentos na sede do San Lorenzo, sendo expulso por torcedores e escoltado pela polícia para fora do local.
Ulises Morales, presidente do Conselho de Administração, afirmou que a situação do clube é insustentável e defendeu novas eleições após a criação de um governo de transição. Em entrevista à Rádio La Red, Morales declarou que Moretti “não está mentalmente preparado” para comandar o clube e sugeriu que o dirigente passe por um exame psiquiátrico.
Enquanto enfrenta a turbulência fora de campo, o San Lorenzo também sofre dentro dele. Fora das competições continentais desde o início de 2025, o time foi eliminado nas semifinais do Torneio Apertura pelo Platense e nas oitavas de final da Copa da Argentina pelo Tigre, agravando ainda mais o déficit financeiro.
No Campeonato Argentino Clausura, a equipe ocupa a sexta colocação do Grupo B, com 16 pontos, e segue na zona de classificação para o mata-mata. Sob o comando do técnico Damián Ayude, o San Lorenzo tentará amenizar a crise enfrentando o Atlético Tucumán na próxima segunda-feira (20), às 21h15, fora de casa.
Com dívidas milionárias, instabilidade política e desempenho irregular, o clube que já foi símbolo de glórias e devoção vive agora o desafio de evitar a falência e reconstruir sua identidade, no mesmo ano em que perdeu seu torcedor mais ilustre, o Papa Francisco, que se trou uma espécie de amuleto para a torcida do San Lorenzo.
Lorenzo Papa Francisco era torcedor ilustre do San Lorenzo (Foto: Divulgação)