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Rússia cobra esclarecimentos dos EUA sobre captura e paradeiro de Nicolás Maduro

Moscou diz estar alarmada e fala em violação da soberania venezuelana.

03 de Janeiro de 2026
Foto: Wikimedia Commons

O Ministério das Relações Exteriores da Rússia exigiu “esclarecimentos imediatos” dos Estados Unidos sobre as circunstâncias da relatada captura do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, durante uma operação realizada neste sábado, 3.

Em nota oficial, a Chancelaria russa afirmou estar “extremamente alarmada por relatos de que o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, e sua esposa foram removidos à força do país como resultado da agressão dos EUA hoje”. Segundo o governo russo, caso as informações sejam confirmadas, trata-se de uma “violação inaceitável da soberania de um Estado independente, cujo respeito é um princípio fundamental do direito internacional”.

Mais cedo, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou ataques de “grande escala” contra a Venezuela e declarou que o líder venezuelano e a primeira-dama, Cilia Flores, foram “capturados” e retirados do país.

Também neste sábado, a vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, afirmou que Caracas não sabe o paradeiro de Maduro e de Cilia Flores. Em pronunciamento à rede pública VTV, ela exigiu “prova de vida imediata do governo do presidente Donald Trump sobre as vidas do presidente Maduro e da primeira-dama”.

Paralelamente, o ministro da Defesa venezuelano, Vladimir Padrino López, declarou que o país resistirá à presença de tropas estrangeiras em território nacional. “Esta invasão representa a maior afronta que o país já sofreu”, acrescentou.

Durante a madrugada, explosões foram ouvidas em diferentes regiões da Venezuela, incluindo a capital, Caracas. O governo Maduro decretou estado de emergência, acusou os Estados Unidos de “agressão militar” e responsabilizou diretamente o governo Trump pelos ataques.

Em comunicado, o governo venezuelano convocou a população a reagir à ofensiva e afirmou que Washington corre o risco de mergulhar a América Latina no caos com um ato “extremamente grave” de “agressão militar”. “Todo o país deve se mobilizar para derrotar essa agressão imperialista”, afirmou o regime.

Trump escreveu na rede Truth Social: “Os Estados Unidos realizaram com sucesso um ataque em larga escala contra a Venezuela e seu líder, o presidente Nicolás Maduro, junto com sua esposa, foi capturado e retirado do país por via aérea”. Em seguida, acrescentou: “Esta operação foi realizada em conjunto com as forças de segurança dos Estados Unidos. Mais detalhes serão divulgados em breve. Haverá uma coletiva de imprensa hoje, às 11h, em Mar-a-Lago. Obrigado pela atenção a este assunto!”.

Em entrevista ao jornal The New York Times, Trump classificou a ação como um sucesso. “Planejamento bem-feito e tropas e pessoas excelentes, excelentes”, disse. “Foi uma operação brilhante, na verdade.” Questionado sobre autorização do Congresso e os próximos passos, afirmou que trataria do assunto durante a coletiva em Mar-a-Lago.

No fim de outubro, Trump revelou ter autorizado a CIA a conduzir operações secretas na Venezuela, o que elevou as tensões com Caracas. Fontes da Casa Branca indicam que o Pentágono apresentou diferentes opções ao presidente, incluindo ataques a instalações militares venezuelanas, sob a justificativa de vínculos entre setores das Forças Armadas e o narcotráfico.

Os Estados Unidos acusam Maduro de liderar o chamado Cartel de los Soles, classificado como organização terrorista estrangeira em novembro, e oferecem uma recompensa de US$ 50 milhões por informações que levem à captura do chefe do regime chavista. Trump também acusou o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, de ser “líder do tráfico de drogas” e “bandido”. Em paralelo, ataques a embarcações classificadas por Washington como pertencentes a Organizações Terroristas Designadas foram intensificados no Caribe e no Pacífico, com ao menos 83 tripulantes mortos.

Em novembro, militares americanos de alto escalão apresentaram novos planos de operações contra Caracas. O secretário de Defesa, Pete Hegseth, o chefe do Estado-Maior Conjunto, Dan Caine, e outros oficiais entregaram propostas que incluíam ações por terra. Segundo a emissora CBS News, a comunidade de Inteligência dos EUA forneceu informações para possíveis ofensivas de diferentes níveis de intensidade.

A mobilização militar ocorre em meio ao aumento da presença dos Estados Unidos na América Latina e a alertas sobre uma possível ampliação das operações, classificadas como “execuções extrajudiciais” pela Organização das Nações Unidas (ONU). Um porta-aviões, destróieres com mísseis guiados, caças F-35, um submarino nuclear e cerca de 6.500 soldados foram deslocados para o Caribe.

As ações geraram preocupação entre juristas e parlamentares democratas, que apontam violações do direito internacional. Trump, por sua vez, sustenta que os EUA já estariam em guerra com grupos narcoterroristas venezuelanos, o que justificaria os ataques. Autoridades afirmam que disparos letais seriam necessários diante do fracasso de operações tradicionais para conter o tráfico.

Dados das Nações Unidas contestam essa narrativa. O Relatório Mundial sobre Drogas de 2025 indica que o fentanil, principal responsável por overdoses nos EUA, tem origem no México, e não na Venezuela. O documento também aponta que drogas amplamente consumidas pelos americanos, como a cocaína, vêm majoritariamente de Colômbia, Bolívia e Peru.

Uma pesquisa Reuters/Ipsos divulgada no mês passado mostrou que apenas 29% dos americanos apoiam o uso das Forças Armadas para matar suspeitos de narcotráfico sem devido processo judicial. Entre republicanos, 58% apoiam a prática e 27% se opõem; entre democratas, cerca de 75% são contrários às operações.

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