Quarta-Feira, (21 de Outubro de 2026)
Cultura

Roteiro amazonense é finalista do FRAPA 2026

“O Bagre, a Menina e o Rio”, de Marcos Tupinambá, está entre cinco projetos que disputam prêmio nacional de roteiro.

Por: Portal Amz em Pauta
11 de Setembro de 2026
Foto: Divulgação

O roteiro amazonense “O Bagre, a Menina e o Rio”, do diretor e roteirista Marcos Tupinambá, foi selecionado como finalista do Concurso de Roteiros de Longa-Metragem do FRAPA – Festival de Roteiro Audiovisual de Porto Alegre. O resultado foi anunciado na quinta-feira (10). O projeto concorre com outros quatro roteiros, e o vencedor será divulgado em 6 de novembro, durante a cerimônia de premiação do festival.

A obra foi selecionada inicialmente entre 323 roteiros inscritos e chegou à lista de 15 semifinalistas como único representante da Região Norte. Agora, integra o grupo dos cinco finalistas da edição de 2026. “Essa é uma história que foi amadurecendo e ganhando novas camadas. É uma satisfação perceber que ela também desperta o interesse de pessoas com experiências tão diversas, inclusive dentro do mercado”, afirma Marcos Tupinambá.

Com a classificação, o roteirista garante participação no 8º FRAPA[LAB], credencial para o 14º FRAPA e a oportunidade de apresentar o projeto em um pitching durante o festival. Os finalistas também participarão de encontros com representantes da Globo e da Amazon, além de receberem benefícios como bolsa integral para curso da plataforma b_arco on, assinatura da MUBI e mentoria oferecida pela Transforma.

A história de “O Bagre, a Menina e o Rio” começou como um projeto de curta-metragem e depois foi ampliada para o formato de longa. O roteiro foi contemplado pela Lei Paulo Gustavo, por meio do Edital nº 01/2023 de Fomento às Artes, na categoria Audiovisual, com recursos do Governo Federal, através do Ministério da Cultura, e execução do Governo do Amazonas, pela Secretaria de Cultura e Economia Criativa.

“Em 2023, surgiu a oportunidade de transformar aquela ideia em um roteiro de longa-metragem. Depois de alguns anos de desenvolvimento, finalmente concluí o projeto no final de 2025 e decidi submetê-lo a festivais e concursos nacionais de roteiro, como uma maneira de colocar a história em contato com outros olhares e entender como ela poderia reverberar para além de mim”, conta Tupinambá. Antes de chegar à final do FRAPA, o projeto também conquistou o segundo lugar no Grande Prêmio de Roteiro, na categoria Argumento.

Ambientada em 1995, nas palafitas do bairro Educandos, em Manaus, a trama acompanha Jennyffer, uma menina de 12 anos, e Piraíba, um garoto recluso com traços de peixe. A amizade entre os dois se desenvolve em meio a conflitos familiares, preconceito e elementos fantásticos ligados ao rio. A ameaça de remoção das palafitas também faz parte da narrativa, que aborda memória ancestral, identidade e questões sociais.

O projeto combina elementos do realismo mágico latino-americano com símbolos e lendas amazônicas. “Isso não apenas enriquece a cultura local, mas também contribui para a preservação de histórias e tradições que, de outra forma, poderiam ser esquecidas. Essa valorização da cultura regional tem o potencial de fortalecer o senso de identidade da população local”, pontua Marcos Tupinambá.

Segundo o diretor, o rio e as palafitas exercem papel central na construção da história e não aparecem apenas como cenário. “O filme apresenta um olhar autêntico sobre a vida nas margens do Rio Negro, destacando desafios e lutas cotidianas. Isso ajuda a quebrar estereótipos e promover a inclusão social, lembrando que histórias poderosas podem surgir de qualquer lugar”, defende.

O FRAPA chega à 14ª edição em 2026 e será realizado entre os dias 2 e 6 de novembro, na Casa de Cultura Mario Quintana, em Porto Alegre. O festival reúne profissionais do cinema e da televisão e conta com debates, oficinas, masterclasses, concursos, pitchings, mostras e rodadas de negócios.

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