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Rodoviários encerram paralisação e ônibus voltam a circular em Manaus

Categoria retoma as atividades após pagamento de salários; operação do transporte coletivo é normalizada.

Por: Portal Amz em Pauta
22 de Julho de 2026
Foto: Natália Póvoas / Rede Amazônica

Os rodoviários encerraram, nesta quarta-feira (22), a paralisação que afetava o transporte coletivo de Manaus desde a última segunda-feira (20). Segundo o Sindicato dos Trabalhadores Rodoviários de Manaus, a categoria decidiu retomar as atividades após o repasse dos valores referentes aos salários, normalizando a circulação dos ônibus na capital.

De acordo com o sindicato, a greve foi iniciada porque as empresas de transporte coletivo não efetuaram o pagamento da primeira parcela dos salários dentro do prazo estabelecido pelo Tribunal Regional do Trabalho da 11ª Região (TRT-11). Após a regularização dos repasses, os trabalhadores foram orientados a retornar às funções.

O presidente do sindicato, Givancir Oliveira, informou que o pagamento aos rodoviários seria concluído até o fim da manhã desta quarta-feira. Com isso, a categoria decidiu encerrar o movimento e restabelecer a operação do transporte coletivo.

Durante os três dias de paralisação, a categoria manteve o funcionamento parcial da frota conforme determinação da Justiça do Trabalho. A decisão do TRT-11 estabelecia a circulação de 80% dos ônibus nos horários de pico, entre 6h e 9h e das 17h às 20h, e de 50% nos demais períodos. O esquema foi mantido até a manhã desta quarta-feira, quando o fim da greve foi anunciado.

O impasse teve início após o atraso no pagamento dos salários. Em julho, o TRT-11 determinou que as empresas do transporte coletivo efetuassem o pagamento de 40% dos salários até o dia 20 de cada mês — ou no dia útil anterior, quando a data coincidir com fim de semana ou feriado — e os 60% restantes até o quinto dia útil do mês seguinte.

O Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Amazonas (Sinetram) atribuiu o atraso nos repasses à existência de débitos relacionados ao Passe Livre Estudantil. Segundo a entidade, há R$ 90.184.740,19 em valores pendentes, dos quais mais de R$ 44 milhões seriam de responsabilidade do Governo do Amazonas e o restante da Prefeitura de Manaus.

Na terça-feira (21), o prefeito Renato Júnior afirmou que o município não possui pendências referentes ao transporte coletivo em 2026 e informou que cerca de R$ 284 milhões já foram repassados ao Sinetram neste ano. "A prefeitura não deve nada, nenhum real de 2026 ao transporte coletivo", declarou.

Horas depois, o Instituto Municipal de Mobilidade Urbana (IMMU) esclareceu que não existem débitos relativos a 2026, mas informou haver um passivo de R$ 150,4 milhões referente a anos anteriores. Segundo o órgão, aproximadamente R$ 91 milhões são de responsabilidade do Governo do Amazonas e R$ 59 milhões do município.

Também na terça-feira, o vice-governador Serafim Corrêa contestou o valor da dívida apresentado pelo Sinetram. O Estado reconheceu apenas um débito de R$ 18 milhões referente ao período de fevereiro a julho de 2026. "R$ 18 milhões, que é o valor que nós entendemos que é devido", afirmou. Durante a noite, Serafim publicou o comprovante da transferência ao Sinetram e escreveu: "Fizemos a nossa parte. Assunto encerrado".

A divergência entre o Governo do Amazonas e o Sinetram permanece em relação ao cálculo do Passe Livre Estudantil. Enquanto o Estado defende o pagamento de R$ 2,50 por passagem, correspondente à meia-passagem estudantil, o sindicato das empresas sustenta que o repasse deve considerar a tarifa técnica, atualmente superior a R$ 8. O impasse teve início em 2025, após o encerramento do convênio entre Governo do Amazonas e Prefeitura de Manaus que financiava o benefício.

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