Meio Ambiente

Rios voadores da Amazônia carregam mais água que o próprio rio Amazonas

Formados por árvores, esses “cursos d’água invisíveis” irrigam grande parte da América do Sul e dependem da floresta em pé.

16 de Julho de 2025
Foto: Reprodução

Quando se fala em Amazônia, a imagem que vem à mente costuma ser de uma floresta quente, úmida e exuberante. No entanto, esse gigante verde começa gelado, nas montanhas dos Andes. É lá, entre neve derretida e geleiras, que nascem os primeiros fluxos de água que alimentam a maior bacia hidrográfica do mundo.

Essa água, somada às chuvas tropicais, forma o rio Amazonas, responsável por despejar impressionantes 219 mil metros cúbicos por segundo no Oceano Atlântico — o equivalente a 7,6 milhões de piscinas olímpicas cheias por dia, segundo o site IFLScience. Mas além do rio visível que serpenteia pela floresta, existe um outro sistema hídrico essencial: os chamados rios voadores.

Esses rios invisíveis são formados por vapor d’água liberado pelas árvores da floresta amazônica. Com cerca de 400 bilhões de árvores, a região funciona como uma imensa bomba de umidade. Uma única árvore pode liberar até 984 litros de água por dia, absorvidos por suas raízes profundas e enviados até as folhas, de onde evaporam.

Esse vapor sobe e forma correntes aéreas que percorrem o continente. Quando os rios voadores encontram os Andes, o ar úmido é redirecionado e espalhado para países como Colômbia, Equador, Peru, Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. Ao entrarem em contato com massas de ar frio, essas nuvens densas precipitam, garantindo o regime de chuvas em vastas regiões da América do Sul.

O colapso desse sistema também traria consequências globais, liberando grandes quantidades de dióxido de carbono armazenado pela floresta e acelerando as mudanças climáticas.

Apesar disso, há esperança. Povos indígenas como a Nação Wampís, no Peru, protegem seus territórios há séculos de forma sustentável. Hoje, cerca de 15 mil pessoas da comunidade atuam no Governo Territorial Autônomo, que protege mais de 1,3 milhão de hectares de floresta. Eles provam que preservar a Amazônia — e seus rios voadores — é possível, desde que respeitemos o conhecimento ancestral e os limites da natureza.

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