Amazonas

Rios da Amazônia superam rodovias em eficiência logística e ambiental no Brasil

Dados da Antaq e estudos ambientais destacam vantagens econômicas e sustentáveis do modal fluvial

23 de Dezembro de 2025
Foto: Divulgação

O Brasil possui 20,1 mil quilômetros de vias economicamente navegáveis, dos quais cerca de 16 mil quilômetros estão concentrados nos rios da Amazônia, o que representa 80,79% de toda a malha hidroviária nacional. Essa extensa rede natural coloca a região como eixo central do transporte aquaviário no país.

Dados da Agência Nacional de Transportes Aquaviários indicam que, em 2024, as hidrovias das regiões Amazônica e Tocantins–Araguaia movimentaram 107,4 milhões de toneladas de cargas. O volume corresponde a 89% de toda a carga fluvial transportada no Brasil ao longo do ano, evidenciando a predominância do modal na logística nacional.

Soja e milho respondem por cerca de metade desse volume transportado, impulsionados pela expansão do agronegócio e pela consolidação dos portos do Arco Norte. Além disso, o transporte fluvial também é fundamental para o escoamento da produção do Polo Industrial de Manaus, com contêineres seguindo por barcaças até os principais portos da região Norte.

A geografia amazônica explica a relevância histórica do transporte fluvial, essencial para a integração das cidades ribeirinhas. Nos últimos anos, no entanto, os rios passaram a ter papel ainda mais estratégico, tornando-se corredores decisivos para o escoamento da produção agrícola rumo ao mercado externo.

Segundo especialistas do setor, o crescimento mais acelerado do transporte hidroviário ocorreu a partir de 2014, com a entrada de grandes operadores de granéis agrícolas. A abertura de corredores logísticos conectando áreas produtoras aos portos do Arco Norte ampliou a escala e reduziu custos operacionais.

O grande diferencial do modal fluvial está na capacidade de transporte. Algumas composições de barcaças empurradas por um único rebocador chegam a movimentar até 75 mil toneladas em uma única viagem, volume equivalente a cerca de mil caminhões rodoviários, como já registrado em operações saindo de Porto Velho pelo rio Madeira.

Além da escala, o desempenho ambiental é apontado como vantagem estratégica. Estudos da Future Climate Group indicam que os comboios fluviais emitem até 73% menos dióxido de carbono que o transporte rodoviário e 36% menos que o ferroviário, reduzindo a pegada de carbono da cadeia logística e atendendo às exigências de mercados internacionais e critérios de sustentabilidade.

Apesar dos ganhos, o setor ainda enfrenta desafios estruturais, como a sazonalidade dos rios, gargalos urbanos no acesso aos portos e a ausência de gestão contínua das hidrovias. Projetos de concessão, dragagem e sinalização nos rios Madeira, Tapajós, Tocantins e na Barra Norte podem ampliar a eficiência do sistema, enquanto o governo federal anunciou contratos de R$ 370 milhões para dragagem e sinalização nos rios Amazonas e Solimões, com o objetivo de manter a navegabilidade da região.

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