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Rio de Janeiro revoga lei que proibia monumentos a escravocratas

Prefeito sanciona nova legislação que reverte a medida aprovada em 2023

12 de Janeiro de 2025
Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Uma lei municipal que proibia homenagens a escravocratas e figuras responsáveis por atos de natureza racista foi revogada no Rio de Janeiro, pouco mais de um ano após sua implementação. A revogação foi sancionada pelo prefeito Eduardo Paes no dia 2 de janeiro de 2025. A medida original, que visava remover estátuas e placas de figuras controversas do espaço público, foi aprovada em 2023 e gerou intensos debates na Câmara Municipal e na sociedade. 

A Lei Municipal 8.205/2023, sancionada no final de 2023, foi elaborada pelos vereadores Chico Alencar (PSOL) e Mônica Benício (PSOL) e visava impedir a instalação de novos monumentos e a retirada dos já existentes que homenageavam figuras relacionadas à escravidão, ao racismo ou a violações dos direitos humanos. A proposta foi apoiada por coletivos antirracistas e resultou em ações de contextualização histórica das figuras homenageadas, sugerindo sua transferência para locais museológicos. 

No entanto, um ano depois, a revogação da lei foi proposta por vereadores como Dr. Gilberto (SDD), Dr. Rogério Amorim (PL), Carlo Caiado (PSD), Pedro Duarte (Novo) e Carlos Bolsonaro (PL). O projeto foi aprovado por 24 votos a 7 em dezembro de 2024 e sancionado por Paes no início de 2025, criando a Lei Municipal 8.780/2025. 

A justificativa para a revogação foi de que a medida afetava personalidades históricas de grande relevância, como o Duque de Caxias e Tiradentes, que, embora tenham sido figuras controversas, são importantes para a história do Brasil. A revogação gerou discussões acaloradas entre defensores e opositores da medida, com argumentos sobre a necessidade de revisar a forma como a história é contada e representada no espaço público. 

O debate também ganhou proporções nas redes sociais, com pesquisadores e historiadores defendendo a manutenção da lei como uma forma de reparação histórica e a atualização dos valores sociais. Para muitos, a revogação representa um retrocesso no reconhecimento de ações que perpetuam a desigualdade racial e a exclusão social. 

A Galeria de Racistas, plataforma criada para identificar e questionar homenagens a figuras com envolvimento na escravidão, também se posicionou contra a revogação. Para a historiadora Camilla Fogaça, a retirada desses monumentos seria uma forma de reconhecer os danos causados por essas figuras, enquanto outros historiadores, como Heitor Fagundes Beloch, argumentam que o julgamento do passado com os valores atuais pode ser problemático e levar a uma "limpeza" excessiva do patrimônio cultural. 

O tema continua a ser um ponto de forte divergência na sociedade carioca e no país, refletindo um confronto de perspectivas sobre memória, justiça e identidade.

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