Lotes de atorvastatina e rosuvastatina da Cimed foram recolhidos após suspeita de troca de embalagem.
As estatinas são medicamentos usados para reduzir os níveis de colesterol LDL, conhecido como “colesterol ruim”, no sangue. Na segunda-feira (18), a Agência Nacional de Vigilância Sanitária determinou a suspensão da venda, distribuição e uso de lotes específicos de atorvastatina cálcica e rosuvastatina cálcica, fabricados pela Cimed, após a própria empresa iniciar o recolhimento voluntário dos produtos.
A medida atinge o lote nº 2424299 dos medicamentos atorvastatina cálcica 40 mg e rosuvastatina cálcica 20 mg. Segundo informações divulgadas, o recolhimento ocorreu de forma preventiva após suspeita de mistura de embalagens, com cartuchos de rosuvastatina identificados em lote de atorvastatina.
De forma geral, as estatinas atuam no fígado, bloqueando uma enzima envolvida na produção de colesterol. Com menor produção interna, o organismo passa a retirar mais LDL da corrente sanguínea, reduzindo os níveis desse tipo de colesterol e, consequentemente, o risco de formação de placas de gordura nas artérias.
O excesso de LDL pode se acumular nas paredes dos vasos sanguíneos e aumentar o risco de doenças cardiovasculares, como infarto e acidente vascular cerebral. Por isso, as estatinas são indicadas principalmente para pessoas com colesterol elevado, pacientes que já tiveram eventos cardiovasculares, pessoas com diabetes, hipertensão associada a outros fatores de risco ou histórico familiar de doença cardiovascular precoce.
As estatinas também podem contribuir para reduzir inflamações nas artérias e estabilizar placas de gordura, diminuindo o risco de ruptura dessas placas. Especialistas ressaltam, no entanto, que a indicação do medicamento depende da avaliação individual do risco cardiovascular e dos níveis de colesterol de cada paciente.
A Diretriz Brasileira de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose de 2025 reforça metas mais rigorosas para o controle do LDL, especialmente em pacientes de maior risco. A nova diretriz inclui a categoria de risco extremo, com meta de LDL abaixo de 40 mg/dL, e mantém a estatina como uma das principais opções terapêuticas para redução do colesterol.
Apesar de serem consideradas seguras e eficazes quando bem indicadas, as estatinas podem causar efeitos colaterais. O mais comum é dor muscular, geralmente leve e reversível com ajuste de dose ou troca do medicamento. Reações mais graves, como lesão muscular importante ou alterações no fígado, são raras.
Pacientes que usam atorvastatina ou rosuvastatina devem verificar o lote do medicamento e seguir as orientações da Anvisa, da fabricante ou de um profissional de saúde. A interrupção do tratamento não deve ser feita por conta própria, especialmente em pessoas com alto risco cardiovascular.