Saúde

Região Norte registra 3.980 emergências por envenenamento em dez anos

Levantamento da Abramede aponta 435 casos propositais; país soma 45,5 mil registros.

08 de Setembro de 2025
Foto: Divulgação

Nos últimos dez anos, o Sistema Único de Saúde (SUS) contabilizou 3.980 atendimentos de emergência por envenenamentos na Região Norte, segundo dados da Associação Brasileira de Medicina de Emergência (Abramede). Do total, 435 foram classificados como intoxicação proposital, que em muitos casos evoluíram para internações e até óbitos.

No mesmo período, em todo o Brasil, o SUS registrou 45.511 ocorrências do mesmo tipo. O levantamento mostra que, entre 2009 e 2024, houve uma média anual de 4.551 registros, o que equivale a 379 por mês ou 12,6 por dia. Na prática, a cada duas horas, um paciente deu entrada em pronto-socorro da rede pública após ingestão de substâncias tóxicas ou reações graves.

Dos registros totais, 3.461 internações foram motivadas por intoxicação proposital causada por terceiros. Segundo a Abramede, os números coincidem com o período em que a medicina de emergência foi oficialmente reconhecida como especialidade no Brasil, reforçando o papel fundamental dos emergencistas em situações críticas.

A presidente da Abramede, Camila Lunardi, destacou que muitos episódios de intoxicação têm origem em conflitos emocionais ou familiares, e não apenas em acidentes. “Esses casos revelam um fenômeno alarmante: parte significativa das intoxicações são cometidas de forma intencional, o que exige maior atenção da saúde pública”, afirmou.

Entre os episódios de grande repercussão, a médica citou o caso do bolo contaminado com arsênio em Torres (RS), em dezembro de 2024, que matou quatro pessoas, e a ceia de Réveillon em Parnaíba (PI), que resultou em cinco mortes no início de 2025. Outras ocorrências envolveram um ovo de Páscoa envenenado no Maranhão e um açaí contaminado no Rio Grande do Norte, que provocou a morte de um bebê de oito meses.

De acordo com a emergencista Juliana Sartorelo, muitos casos poderiam ser evitados com maior fiscalização e regulamentação da venda de substâncias, além de políticas de suporte socioemocional. “O atendimento rápido é essencial: primeiro garantimos o suporte de vida do paciente, só depois buscamos identificar o agente intoxicante”, explicou.

O estudo aponta ainda que os registros tiveram queda entre 2015 e 2021, mas voltaram a crescer, atingindo recordes em 2023 (5.523) e 2024 (5.560). Entre as causas acidentais, os medicamentos analgésicos e anti-inflamatórios lideraram (2.225 casos), seguidos por pesticidas (1.830), álcool (1.954) e anticonvulsivantes, sedativos e hipnóticos (1.941).

A distribuição regional mostra concentração no Sudeste, com São Paulo (10.161) e Minas Gerais (6.154) à frente. O Sul registrou 7.042 casos, principalmente no Paraná (3.764) e no Rio Grande do Sul (3.278). O Nordeste somou 7.080, puxado por Bahia (2.274) e Pernambuco (949). No Centro-Oeste, foram 5.161 registros, com destaque para Distrito Federal (2.206) e Goiás (1.876). Já o Norte apresentou 3.980 casos, sobretudo no Pará (2.047). Entre as internações por intoxicação proposital, o Sudeste também liderou (1.513), seguido pelo Sul (551), Nordeste (492), Centro-Oeste (470) e Norte (435).

Leia Mais
TV Em Pauta

COPYRIGHT © 2024-2025. AMZ EM PAUTA S.A - TODOS OS DIREIROS RESERVADOS.