IBGE aponta redução de 12,1% em 2024, mas índice ainda é o mais alto do país
Mesmo com redução significativa em 2024, a Região Norte segue liderando a proporção de crianças e adolescentes em situação de trabalho infantil no Brasil. Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, divulgados nesta sexta-feira (18), mostram que o percentual da população de 5 a 17 anos nessas condições caiu de 6,9% para 6,2%, uma queda de 12,1% em relação ao ano anterior.
Em números absolutos, o contingente passou de 282 mil para 248 mil crianças e adolescentes, evidenciando uma redução expressiva. Apesar disso, a taxa permanece superior à das demais regiões. O Nordeste vem em seguida, com 5,0%, e o Centro-Oeste, com 4,9%.
Quando se observa o contingente total, o Nordeste aparece na frente, com 547 mil menores em trabalho infantil, seguido do Sudeste (475 mil), Norte (248 mil), Sul (226 mil) e Centro-Oeste (153 mil). O Sudeste, porém, apresentou o menor percentual, de 3,3%, reflexo da sua maior população.
O levantamento destaca ainda que Nordeste e Sul foram as únicas regiões com aumento expressivo em números absolutos. O Nordeste teve alta de 7,3%, passando de 510 mil para 547 mil menores, enquanto o Sul avançou 13,6%, de 199 mil para 226 mil.
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Entre crianças de 5 a 13 anos, Norte e Nordeste concentram as piores taxas, com 2,4% e 2,3%, respectivamente, respondendo por mais de 60% de todos os trabalhadores infantis dessa faixa no país. Nas outras regiões, a proporção varia de 0,8% (Sudeste) a 1,3% (Centro-Oeste).
Em nível nacional, o trabalho infantil teve leve alta de 2,1% em 2024, após registrar o menor nível histórico no ano anterior. O total de crianças e adolescentes de 5 a 17 anos nessas condições chegou a 1,65 milhão, o que equivale a 4,3% dessa população.
Apesar do aumento, o IBGE pondera que a tendência de queda observada desde 2016 não foi revertida. Naquele ano, o país tinha 2,1 milhões de menores em trabalho infantil, ou 5,2% da população. “Ainda estamos em um patamar mais baixo do que no início da série histórica”, avaliou o analista Gustavo Geaquinto Fontes.
A pesquisa revela também disparidades sociais. Crianças e adolescentes em trabalho infantil tiveram renda média de R$ 845, inferior à de quem trabalha em condições regulares (R$ 1.083). Além disso, a frequência escolar cai para 88,8% entre os que trabalham, contra 97,5% da média nacional, mostrando o impacto direto dessa prática na educação.